31 ° Bisabuelo/ Great Grandfather de: Carlos Juan Felipe Antonio Vicente De La Cruz Urdaneta Alamo →Charlemagne is Morella Álamo Borges' 31th great grandfather.
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(Linea Paterna) (Linea Materna)
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Charlemagne is Morella Álamo Borges' 31th great grandfather. of
→(1) Carlos Juan Felipe Antonio Vicente De La Cruz Urdaneta Alamo N°1
→(2) Morella Álamo Borges (your mother)
→(3) Belén Eloina Borges Ustáriz (her mother) N°7
→(4) Belén de Jesús Ustáriz Lecuna (her mother) N°15
→(5) Miguel María Ramón de Jesús Uztáriz y Monserrate (her father) N°30
→(6) María de Guía de Jesús de Monserrate é Ibarra (his mother) N°61
→(7) María Manuela Ibarra y Galindo (her mother) N°123
→(8) Josefa Gerónima Galindo y Zayas de Meneses y Rengifo (her mother) N°247
→(9) Sebastiana María Meneses y Rengifo de Pimentel (her mother) N°495
→(10) Maestre de Campo Francisco de Meneses y Silva (her father) N°990
→(11) comendador Francisco de Meneses y Vilhena (his father) N°1980
→(12) Lorenza de Vilhena y Távora, (his mother) N°3961
→(13) Comendador de Guillofrei de la Orden de Cristo Manuel de Sousa da Silva (her father) N°7922
→(14) Lourenço de Sousa da Silva, aposentador-mór (his father) N°15844
→(15) Rui de Sousa da Silva (his father) N°31688
→(16) Rui Gomes da Silva, 2º senhor da Chamusca (his father) N°63376
→(17) Isabel Vasques de Sousa (his mother) N°126753
→(18) Inês Dias Manuel (her mother) N°253507
→(19) Sancho Manuel de Villena Castañeda, señor del Infantado y Carrión de los Céspedes (her father) N°507014
→(20) Manuel de Castilla, señor de Escalona (his father) N°1014028
→(21) Elizabeth of Swabia (his mother) N°2028057
→(22) Philip of Swabia, King of Germany (her father) N°4056114
→(23) Beatrice of Burgundy (his mother) N°8112229
→(24) Reginald III, Count of Burgundy (her father) N°16224458
→(25) Béatrice Clémence de Lorraine, Countess of Burgundy (his mother) N°32448917
→(26) Hadwide, de Namur (her mother) N°64897835
→(27) Ermengarde (her mother) N°129795671
→(28) Charles de France, duc de Basse-Lotharingie (her father) N°259591342
→(29) Louis IV, king of West Francia (his father) N°519182684
→(30) Charles III the Simple, king of the Franks (his father) N°1038365368
→(31) Louis II the Stammerer, king of the West Franks (his father) N°2076730736
→(32) Charles II "the Bald", Western Emperor (his father) N°4153461472
→(33) Louis I, The Pious (his father) N°8306922944
→(34) Charlemagne (his father) N°16.613.845.888
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→(®) Sousa Stradonitz Realizado por: Ing. Carlos Juan Felipe Urdaneta Alamo, MDIG)
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30 ° Bisabuela/ Great Grandmother de: Carlos Juan Felipe Antonio Vicente De La Cruz Urdaneta Alamo →Charlemagne is your 30th great grandfather.
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(Linea Paterna) (Linea Materna)
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Charlemagne is your 30th great grandfather. of
→(1) Carlos Juan Felipe Antonio Vicente De La Cruz Urdaneta Alamo N°1
→(2) Dr Enrique Jorge Urdaneta Lecuna (your father) N°2
→(3) Dr Carlos Urdaneta Carrillo (his father) N°4
→(4) Dr Enrique Urdaneta Maya (his father) N°8
→(5) Josefa Alcira Maya de la Torre y Rodríguez (his mother) N°17
→(6) María Vicenta Rodríguez Uzcátegui (her mother) N°35
→(7) María Celsa Uzcátegui Rincón (her mother) N°71
→(8) Sancho Antonio de Uzcátegui Briceño (her father) N°142
→(9) Jacobo de Uzcátegui Bohorques (his father) N°284
→(10) Luisa Jimeno de Bohorques Dávila (his mother) N°569
→(11) Juan Jimeno de Bohórquez (her father) N°1138
→(12) Luisa Velásquez de Velasco (his mother) N°2277
→(13) Juan Velásquez de Velasco y Montalvo, Gobernador de La Grita (her father) N°4554
→(14) Capitán Ortún Velázquez de Velasco (his father) N°9108
→(15) María de Velasco y Guevara (his mother) N°18217
→(16) María de Guevara y Roxas (her mother) N°36435
→(17) Ladrón de Guevara y Quesada, I Marqués de Rucandio (her father) N°72870
→(18) Juana de Guevara y Ayala (his mother) N°145741
→(19) Díaz Sánchez de Quesada y Rodríguez de Biedma, II Señor de Garcíez (her father) N°291482
→(20) Thoda Pérez Roldán de Cabrera (his mother) N°582965
→(21) Toda Álvarez de Alagón (her mother) N°1165931
→(22) Roldán Arias de Alagón (her father) N°2331862
→(23) María de Pallars Sobirá (his mother) N°4663725
→(24) Lucie de La Marche (her mother) N°9327451
→(25) Bernard I, comte de la Marche (her father) N°18654902
→(26) Audebert I, comte de la Marche (his father) N°37309804
→(27) Emma de Périgord (his mother) N°74619609
→(28) Guillaume I, count of Périgord (her father) N°149239218
→(29) Wulgrin, count of Angoulême (his father) N°298478436
→(30) Susanna (his mother) N°596956873
→(31) Alpaïs, Abbess of St-Pierre & Reims (her mother) N°1193913747
→(32) Louis I, The Pious (her father) N°2387827494
→(33) Charlemagne (his father) N°4.775.654.988
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→(®) Sousa Stradonitz Realizado por: Ing. Carlos Juan Felipe Urdaneta Alamo, MDIG)
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(Linea Materna)
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Charlemagne is your 27th great grandfather.You→ Carlos Juan Felipe Antonio Vicente De La Cruz Urdaneta Alamo→ Morella Álamo Borges
your mother → Belén Borges Ustáriz
her mother → Belén de Jesús Ustáriz Lecuna
her mother → Miguel María Ramón de Jesus Uztáriz y Monserrate
her father → María de Guía de Jesús de Monserrate é Ibarra
his mother → Manuel José de Monserrate y Urbina, Teniente Coronel
her father → Antonieta Felicita Javiera Ignacia de Urbina y Hurtado de Mendoza
his mother → Isabel Manuela Josefa Hurtado de Mendoza y Rojas Manrique
her mother → Juana de Rojas Manrique de Mendoza
her mother → Constanza de Mendoza Mate de Luna
her mother → Mayor de Mendoza Manzanedo
her mother → Juan Fernández De Mendoza Y Manuel
her father → Sancha Manuel
his mother → Sancho Manuel de Villena Castañeda, señor del Infantado y Carrión de los Céspedes
her father → Manuel de Castilla, señor de Escalona
his father → Elizabeth of Swabia
his mother → Philip of Swabia
her father → Friedrich I Barbarossa, Holy Roman Emperor
his father → Judith of Bavaria
his mother → Henry IX the black, duke of Bavaria
her father → Judith of Flanders
his mother → Baldwin IV the Bearded, count of Flanders
her father → Rozala d'Italie, reine consort de France
his mother → Berengar II of Ivrea, king of Italy
her father → Gisla del Friuli
his mother → Berengario I, re d'Italia
her father → Giséle of Cysoing
his mother → Louis I, The Pious
her father → Charlemagne
his father
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Carlos Magno
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Carlos I
Denário de Carlos, c. 812–814
Imperador dos Romanos
Reinado
25 de dezembro de 800
a 28 de janeiro de 814
Coroação
25 de dezembro de 800
Sucessor(a)
Luís I
Rei dos Lombardos
Reinado
10 de julho de 774
a 28 de janeiro de 814
Coroação
10 de julho de 774
Predecessor
Desidério
Sucessor
Luís I
Rei dos Francos
Reinado
9 de outubro de 768
a 28 de janeiro de 814
Coroação
9 de outubro de 768
Predecessor
Pepino
Sucessor
Luís I
Co-monarca
Carlomano I (768–771)
Esposas
Desiderata
Hildegarda de Vinzgouw
Fastrada
Luitgarda
Descendência
Carlos, o Jovem
Pepino da Itália
Rotrude
Luís, o Piedoso
Lotário
Berta
Gisela
Teodrada
Hiltrude
Casa
Carolíngia
Nascimento
2 de abril de 742
Frância
Morte
28 de janeiro de 814 (71 anos)
Aachen, Império Romano
Enterro
Catedral de Aachen, Aachen, Alemanha
PADRE
Pepino, o Breve
MADRE
Berta de Laon
Assinatura
Assinatura de Carlos I
Carlos Magno (em latim: Carolus Magnus, alemão: Karl der Große, francês: Charlemagne; 2 de abril de 742 — Aachen, 28 de janeiro de 814)[1] foi o primeiro Imperador dos Romanos de 800 até sua morte, além de Rei dos Lombardos a partir de 774 e Rei dos Francos começando em 768. A denominação dinastia Carolíngia, que pelos sete séculos seguintes dominaram a Europa, no que veio a ser posteriormente chamado Sacro Império Romano-Germânico deriva do seu nome em latim "Carolus".[2][3]
Por meio das suas conquistas no estrangeiro e de suas reformas internas, Carlos Magno ajudou a definir a Europa Ocidental e a Idade Média na Europa. Ele é chamado de Carlos I nas listas reais da Alemanha (como Karl), na França (como Charles) e do Sacro Império Romano-Germânico. Ele era filho do rei Pepino, o Breve e de Berta de Laon, uma rainha franca. Carlos reinou primeiro em conjunto com seu irmão Carlomano, sendo a relação entre os dois o tema de um caloroso debate entre os cronistas contemporâneos e os historiadores.[4]
Monarca guerreiro, expandiu o Reino Franco através de uma série de campanhas militares, em particular contra os saxões pagãos cuja submissão foi bastante difícil e muito violenta (772-804), mas também contra os lombardos em Itália e os muçulmanos de Espanha, até que este se tornou o Império Carolíngio, que incorporou a maior parte da Europa Ocidental e Central. Durante o seu reinado, ele conquistou o Reino Itálico.
Posteriormente, o exército de Carlos, em retirada, sofreu a sua pior derrota nas mãos dos bascos na Batalha de Roncesvales (778) (eternizada A Canção de Rolando, de teor fortemente fictício). Ele também realizou campanhas contra os povos a leste, principalmente os saxões e, após uma longa guerra, subjugou-os ao seu comando. Ao cristianizar à força os saxões e banindo, sob pena de morte, o paganismo germânico, ele os integrou ao seu reino e pavimentou o caminho que levaria à futura dinastia Otoniana.
Soberano reformador, preocupado com a ortodoxia religiosa e cultura, ele protegeu as artes e as letras. O seu reinado também está associado com a chamada «Renascença carolíngia», um renascimento das artes, religião e cultura por meio da Igreja Católica.
O seu trabalho político imediato, o império, não lhe sobrevive, no entanto, por muito tempo. Em conformidade com o costume sucessório germânico, Carlos Magno promove a partir de 806 a partilha do império entre os seus três filhos.[5] Após numerosas peripécias, o império acabará finalmente partilhado em entre três dos seus netos (Tratado de Verdun).
A fragmentação feudal dos séculos seguintes, mais a formação na Europa de Estado-nações rivais, condenaram à impotência aqueles que tentaram explicitamente restaurar o império universal de Carlos Magno, em particular os governantes do Sacro Império Romano-Germânico, de Otão I em 962 no século XVI, e até mesmo Napoleão Bonaparte, perseguido pelo exemplo dos mais eminentes dos Carolíngios[6].
As monarquias francesa e alemã descendentes do império governado por Carlos Magno na forma do Sacro Império Romano-Germânico cobriam a maior parte da Europa. Em seu discurso de aceitação do Prêmio Carlos Magno, o papa João Paulo II se referiu a ele como Pater Europae ("Pai da Europa").[7][8][9][10]: "...seu império uniu a maior parte da Europa Ocidental pela primeira vez desde os romanos e a Renascença carolíngia encorajou a formação de uma identidade europeia comum"[11][12]
A figura de Carlos Magno foi objeto de discórdia na Europa, incluindo a questão política entre os séculos XII e XIX entre a nação germânica que considera o Sacro Império Romano-Germânico como o sucessor legitimo do imperador carolíngio e a nação francesa que é de facto um elemento central da continuidade dinástica dos Capetianos.
Os dois principais textos do século IX que retratam o Carlos Magno real, a "Vita Caroli Magni", de Eginhardo, e a "Gesta Karoli Magni", atribuída a um monge da Abadia de São Galo chamado Notker, igualam as lendas e mitos enumerados nos séculos seguintes: «Há o Carlos Magno da sociedade vassálica e feudal, o Carlos Magno da Cruzada e da Reconquista, o Carlos Magno inventor da Coroa de França ou da Coroa Imperial, o Carlos Magno mal canonizado, mas tido como verdadeiro santo da igreja, o Carlos Magno da boa escola».[13]
Índice [esconder]
1 Contexto
1.1 Problemas relativos ao seu nascimento
1.1.1 Data de nascimento
1.1.2 Local de nascimento
1.2 Infância e juventude
1.3 Reinado precoce: com Carlomano (768-771)
1.4 As condições de expansão territorial
1.4.1 O reino franco em 768 e o seu ambiente
1.4.2 A organização política do reino franco
1.4.3 O exército e a guerra na época de Carlos Magno
1.5 A consolidação e o alargamento do território
1.5.1 Rebelião na Aquitânia
1.5.2 Formação da Nova Aquitânia
1.5.3 Aquisição da Aquitânia pelos carolíngios
1.5.4 Perda e recuperação da Aquitânia
1.5.5 A Itália
1.5.6 A Saxónia
1.5.7 A Espanha
1.5.7.1 Aliança com Suleyman Ibn al-Arabi (777)
1.5.7.2 A expedição de 778
1.5.7.3 A constituição da Marca Espanhola (785-810)
1.5.8 Outros
1.5.8.1 A Baviera
1.5.8.2 Os Ávaros
1.5.8.3 Os Frísios
1.5.8.4 Os Bretões
1.5.8.5 Os Eslavos
2 Ascendência
3 Vida
3.1 A coroação imperial (25 de dezembro de 800)
3.1.1 Os factores gerais da coroação
3.1.1.1 A situação na Europa Ocidental
3.1.1.2 A situação no Império Bizantino
3.1.1.3 A situação do papado
3.1.2 O atentado contra Leão III e consequências
3.1.3 De Paderborn a Roma
3.1.4 Dezembro de 800
3.1.5 A cerimónia de 25 de dezembro
3.1.6 A reacção bizantina
3.1.7 A teoria carolíngia do império
3.2 Fim do reinado
4 Aspectos gerais do reinado
4.1 As relações diplomáticas
4.1.1 Califado Abássida de Bagdá
4.2 A administração do império
4.3 A política religiosa
4.4 A politica económica
4.5 As transformações na sociedade rural e o feudalismo
4.6 A renascença carolíngia
4.7 Reforma na educação
5 Pontos particulares
5.1 Geneologia de Carlos Magno
5.1.1 Descendência
5.1.1.1 Esposas
5.1.2 Concubinas e filhos varões
5.2 Os nomes de Carlos Magno
5.3 O monograma de Carlos Magno
6 Ver também
7 Referências
Contexto[editar | editar código-fonte]
Dinastia carolíngia
Pipinida
Pepino, o Velho (+ 640)
Grimoaldo I (+ 662)
Childeberto, o Adotado (+ 662)
Arnulfida
Arnulfo de Metz (+ 640)
Clodulfo de Metz (+ 696)
Ansegisel (+ antes de 679)
Pepino de Herstal (+ 714)
Grimoaldo II (+ 714)
Drogo de Champanhe (+ 708)
Teodoaldo (+ 714)
Carolíngia
Carlos Martel (+ 741)
Carlomano (+ 754)
Pepino, o Breve (+ 768)
Carlomano I (+ 771)
Carlos Magno (+ 814)
Luís I, o Piedoso (+ 840)
Após o Tratado de Verdun (843)
Lotário I
(Frância Central)
Carlos, o Calvo
(Frância Ocidental)
Luís, o Germânico
(Frância Oriental)
Carlos Magno é o mais ilustre representante dos soberanos da dinastia carolíngia, à qual deu o seu nome. Neto de Carlos Martel, é filho de Pepino, o Breve e de Berta de Laon dita a "Grande Pia".
Problemas relativos ao seu nascimento[editar | editar código-fonte]
A data e o local de nascimento são objeto de controvérsia, devido à ausência de registos concordantes nos documentos da época.
Data de nascimento[editar | editar código-fonte]
A data mais provável para o nascimento de Carlos Magno pode ser inferida a partir de uma série de fontes. A data de 742 pode ser calculada a partir da informação de Eginhardo sobre a morte de Carlos em janeiro de 814 aos 72 anos, mas ela tem a deficiência de localizar o nascimento antes do casamento de seus pais, que teria sido em 744. O ano que aparece nos Annales Petaviani como sendo 747 seria mais provável se não contradissesse Eginhardo e outras fontes ao alegar que Carlos seria menos do que septuagenário. Um calendário da Abadia de Lorsch afirma que teria sido o dia 2 do mês de abril[14].
Em 747, esta data caiu na Páscoa, uma coincidência que certamente seria lembrada, mas não foi. Se a Páscoa estivesse sendo usada como o início do ano-calendário, então 2 de abril de 747 pode ter sido, pelos padrões modernos, 2 de abril de 748 (que não caiu na Páscoa). A data que se suporta melhor pelas evidências é 2 de abril de 742, baseando-se principalmente pelo fato de Carlos ser um septuagenário quando morreu[14]. A conclusão de que Carlos seria um filho ilegítimo (pela data do casamento de seus pais) não é, contudo, sustentada por Eginhardo.
Local de nascimento[editar | editar código-fonte]
O lugar de nascimento de Carlos Magno não é mencionado em nenhuma fonte do seu tempo. A indicação mais antiga, relativa a Ingelheim am Rhein, vem de Godofredo de Viterbo (autor italiano do século XII) e é mantida por alguns autores.[quem?]
Outro lugar de nascimento considerado é Quierzy-sur-Oise, que é uma antiga casa de campo real merovíngia em Aisne, entre Noyon e Chauny. Os seus pais casaram-se lá. Esta pequena cidade foi entre 600 e 900, a capital do Reino Franco. Muitos eventos ocorreram lá, incluindo três conselhos.
De acordo com outros historiadores, Carlos Magno estabeleceu na Austrásia, particularmente na atual região de Liège, em Herstal ou Jupille, residência mais frequente de Pepino, o Breve e alguns ancestrais dos carolíngios, incluindo Pepino de Herstal, o pai de Carlos Martel.
Aquisgrano também foi considerada como possível local de nascimento.
Infância e juventude[editar | editar código-fonte]
Eginhardo, o seu biógrafo, nos conta sobre os primeiros anos da vida de Carlos Magno:[15]:
“ Seria tolo, eu acho, escrever uma palavra sobre o nascimento e infância de Carlos, ou mesmo sobre a sua meninice, pois ainda jamais se escreveu sobre o assunto e não há ninguém vivo agora que possa dar alguma informação sobre o assunto. Assim, eu afirmo que este período é desconhecido e que passo logo a descrever seu caráter, seus atos e outros fatos de sua vida que merecem ser contados, sendo que primeiro farei um relato sobre seus atos em casa e no estrangeiro, depois sobre seu caráter e objetivos, terminando com sua administração e sua morte, sem omitir nada que mereça ser contado ou que seja necessário saber. ”
Portanto, as informações sobre o seu nascimento são escassas. Carlos Magno é pela primeira vez mencionado num diploma de 760 sobre a abadia de Saint-Calais. No que concerne ao período de reinado de seu pai, sabe-se que Carlos Magno integrou uma série de acontecimentos. Ele encabeçou a delegação que acolheu o papa Estevão III em Champanhe em 754, e foi consagrado pelo papa juntamente com seu irmão Carlomano. Ele participou numa operação na Aquitânia em 767-768 e estava com a sua mãe na procissão que trazia Pepino, o Breve para Saint Denis. No que concerne à sua educação, concorda-se que não aprendeu a escrever enquanto jovem. Mas talvez seja apenas a caligrafia, e não a escrita básica. Contudo, sabia ler e conhecia o latim. A sua língua materna é a da Francônia.
Reinado precoce: com Carlomano (768-771)[editar | editar código-fonte]
Carlos Magno fica ocupado pelos assuntos da Aquitânia (veja abaixo), os quais ele consegue resolver sem a ajuda de seu irmão.
De seguida, vem a questão dos casamentos lombardos, que ocupam os anos de 769-771.
Os mais poderosos cargos entre os francos, o mordomo do palácio (Maior Domus) e um ou mais reis (rex ou reges) eram apontados através de eleição popular, ou seja, sem uma regularidade, mas conforme a necessidade aparecia de eleger oficiais ad quos summa imperii pertinebat - "a quem os assuntos de estado eram pertinentes". Evidentemente, decisões durante este ínterim poderiam ser tomadas pelo papa, e seriam depois ratificadas pela assembleia do povo, que se reunia uma vez por ano[16].
Antes que Pepino, o Breve, inicialmente um prefeito, fosse eleito rei em 750, ele manteve o cargo "como se fosse hereditário" (velut hereditario fungebatur). Eginhardo explica que "a honra" era geralmente "dada pelo povo" aos mais distintos, mas Pepino e seu irmão, Carlomano, a receberam por hereditariedade, assim como pai deles, Carlos Martel. Havia, porém, uma certa ambiguidade sobre esta "quase-herança". O cargo era tratado como uma propriedade conjunta: uma prefeitura mantida pelos dois irmãos em conjunto[17]. Cada um, porém, tinha sua própria jurisdição geográfica. Quando Carlomano decidiu renunciar para se tornar um monge beneditino em Monte Cassino[18], a questão sobre o que fazer com a sua "quase herança" foi resolvida pelo papa. Ele converteu a prefeitura em um reinado e premiou Pepino com a posse conjunta das propriedades de Carlomano. Além disso, Pepino agora ganhara o direito de passar suas posses adiante por herança[19].
Esta decisão não foi aceite por todos os membros da família real. Carlomano havia consentido na guarda temporária de sua parte, que ele pretendia passar para o seu próprio filho, Drogo. Pela decisão do papa, sobre a qual é possível enxergar a influência de Pepino, Drogo foi desqualificado como herdeiro em favor de seu primo Carlos. Ele foi às armas em oposição à decisão e foi acompanhado por Grifo, um meio-irmão de Pepino e Carlomano, a quem havia sido dada uma parte da herança de Carlos Martel (que lhe fora dele roubada) e era mantido quase aprisionado por seu meio-irmão após uma tentativa de tomar as suas heranças pela força. Por volta de 753, o assunto estava resolvido: Grifo perecera em combate na Batalha de Saint-Jean-de-Maurienne, enquanto que Drogo fora caçado e aprisionado[20].
Com a morte de Pepino, em 24 de setembro de 768, o reinado passou conjuntamente para seus filhos, "com o apoio divino" (divino nutu)[19]. De acordo com sua a Vita, Pepino morreu em Paris. Os francos, "em assembleia geral" (generali conventu) deram a ambos o título de rei (reges), mas "dividiram o todo do reino igualmente" (totum regni corpus ex aequo partirentur). Os Annales[21] contam uma versão diferente: o rei morreu em St. Denis que é, porém, parte da França. Os dois "lordes" (domni) foram "elevados ao estatuto de rei" (elevati sunt in regnum), Carlos no dia 9 de outubro, em Noyon, e Carlomano numa data desconhecida em Soissons. Se Carlos de fato nasceu em 742, ele tinha 26 anos de idade, já tendo participado de diversas campanhas ao lado do seu pai - o que ajuda a entender o seu gênio militar. Carlomano teria somente 17 anos.
O linguajar utilizado em ambos os casos sugere que não houve "duas heranças", o que teria criado dois reinos distintos governados por dois reis, mas uma única herança e um reinado conjunto mantido por dois reis iguais entre si, Carlos e seu irmão Carlomano. Como antes, jurisdições separadas foram conferidas a cada um deles. Carlos recebeu a parte original de Pepino como prefeito: as bordas do reino, margeando o mar, nominalmente a Nêustria, a Aquitânia ocidental e a parte norte da Austrásia, enquanto Carlomano recebeu a parte originalmente pertencente ao seu tio, mais as internas: a parte sul da Austrásia, a Septimânia, a Aquitânia oriental, a Borgonha, a Provença e a Suábia, além das terras na fronteira com a Itália. A questão sobre se estas jurisdições eram heranças conjuntas que reverteriam para o outro se um deles viesse a morrer ou se seriam herdadas pelos descendentes do morto jamais foi satisfatoriamente resolvida pelos francos. Em 771, depois de pouco mais de três anos de governo e relativa paz entre os dois irmãos, Carlomano morreu de repente no palácio carolíngio de Samoussy[22] perto de Laon. Imediatamente após a sua morte, Carlos aproveita o seu reino, usurpando a herança de seus sobrinhos. A viúva de Carlomano, Gerberga, fugiu para a Itália com o rei dos lombardos, com seu filho e alguns apoiantes.
Carlos é agora governante de todo o reino franco.
As condições de expansão territorial[editar | editar código-fonte]
O reino franco em 768 e o seu ambiente[editar | editar código-fonte]
Evolução do território franco. As conquistas de Carlos Magno estão em verde claro. Os territórios além-fronteira representados em verde são os vassalos do Império Carolíngio.
O reino incluía os territórios solidamente mantidos pelos Francos: Austrásia, Nêustria, Borgonha, Provença, Alemânia, e os territórios semi-autónomos: a Aquitânia (com a Gasconha e a Septimânia), a Baviera e a Frísia.
Fora do reino, encontravam-se:
do outro lado do Canal da Mancha, os reinos anglo-saxões;
na península bretã, as chefias bretãs;
do outro lado do Pirenéus, a Espanha muçulmana, ocupada desde 756 pelo Califado Omíada de Córdoba, e nas Astúrias, o reino cristão de Oviedo;
do lado de lá dos Alpes, o reino dos Lombardos, os Estados Pontifícios (criados por Pepino, o Breve), o ducado lombardo de Benevento, as possessões bizantinas (Nápoles, Apúlia e Calábria); mas o Império Bizantino teve de deixar o Exarcado de Ravena cair nas mãos dos Lombardos em 751;
do lado de lá do Reno, entre o mar do Norte, o Elba, e o Fulda, encontra-se Saxe, país «bárbaro» sem estrutura política forte.
Os mais distantes: os Escandinavos da Dinamarca; os Eslavos (Veletos, Obotritas), do lado de lá do Elba; os Ávaros (semi-nómadas turcomanos) na Panónia.
O império bizantino na Ásia perdeu muito território devido à expansão árabo-muçulmana; em geral, as relações dos Bizantinos com os Francos seriam bastante tensas. O império muçulmano, na Ásia e em Africa, era dirigido pelo Califado Abássida, com o qual, pelo contrário, as relações eram muito boas, na ausência de hostilidade religiosa, enquanto havia uma disputa religiosa com Bizâncio.
O papado está sempre sob tutela do Império Bizantino. No entanto, encurralado pela sua luta contra o império muçulmano, o basileu não tem mais meios de proteger Roma ameaçada pelos Lombardos. O papado vira-se cada vez mais para os Francos[23], em particular para a família carolíngia que sustêm os papas desde a época de Carlos Martel.
A organização política do reino franco[editar | editar código-fonte]
No reino franco, os poderosos (principalmente os duques, condes e marqueses) acolhiam homens livres que educavam, protegiam e alimentavam. A entrada nestes grupos fazia-se numa cerimónia de recomendação: estes homens tornavam-se guerreiros domésticos ligados à pessoa do senhor. O senhor devia entreter esta clientela através de doações para manter a sua fidelidade.[24]
A moeda de ouro tornou-se rara devido à distensão das ligações comerciais com o Império Bizantino (que perdeu o controlo do Mediterrâneo ocidental em favor dos muçulmanos). A riqueza dificilmente pode vir da guerra. O que leva a saque e permite eventualmente conquistar terras que podem ser redistribuídas.[25] Na ausência de expansão territorial, os laços vassálicos distendem-se. Para se sustentar, o poder deve entender-se. Desde gerações, os Pipinidios estenderam assim os seus domínios, e os seus condes, enriqueceram-se, cederam terras aos seus próprios vassalos. Carlos Martel e Pepino, o Breve mostram à Igreja uma grande parte de sus bens para os atribuir aos vassalos. Isto permite-lhes aos mesmo tempo estabilizar as suas conquistas, e ter os meios para estar à cabeça de um exército sem igual no Ocidente medieval[26]
Carlos Magno tem o mesmo problema: deve estender-se em permanência para entreter os seus vassalos e evitar a dissolução das suas possessões. Durante todo o seu reinado, ele tenta fidelizá-los por todos os meios: fazendo-os jurar por demarcação de terras (única riqueza na época) que elas devem ser-lhe restituídas pela sua morte, enviando missi dominici para os controlar e para fiscalizar o que acontece no seu império[27].
O exército e a guerra na época de Carlos Magno[editar | editar código-fonte]
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O princípio fundamental do exército de Carlos Magno que permanece o do exército franco: era composto por homens livres que tinham o direito e o dever de frequentar o exército ( incluindo os territórios recentemente conquistados). O exército podia ser convocado todos os anos durante a guerra (primavera-verão). De facto nos 46 anos de reinado de Carlos Magno, só dois anos é que ele não convocou o exército (790 e 807).
Os historiadores estimam os efectivos potencialmente mobilizados de 10 000 a 40 000 homens.
Concretamente, a cada ano uma assembleia de grandes do reino, deveria representar todos os povos livres, vulgarmente chamados senhores do campo de maio; esta assembleia tomava diversas decisões ( ou melhor: subscrevia as decisões do rei) e em particular a de lançar uma expedição contra um inimigo em particular. Esta decisão era difundida pelos interessados, fosse pelos vassalos diretos do rei com os seus dependentes, fosse pelos condes, bispos e abades com os moradores da sua jurisdição. Cada guerreiro mobilizado devia transportar o seu equipamento e os seus víveres para três meses[28] e apresentar-se no ponto de reunião do exército (ou dos diferentes corpos previstos).
As forças mobilizadas dividiam-se em cavalaria pesada, cavalaria ligeira e infantaria. O exército de Carlos Magno não parece utilizar muito material técnico, em particular nas poucas cidades em que existiam (Pavía, Saragoça, Barcelona...).
Além disso, Carlos Magno dispunha de um certo número de guerreiros dependentes diretamente dele, que formavam a sua guarda, e que podiam ser utilizados para operações urgentes.
Durante as três primeiras décadas do reinado de Carlos Magno, o território do reino aumenta consideravelmente, embora de forma mais ou menos sólida: integração completa dos duques da Aquitânia e da Baviera; conquista do reino dos Lombardos (774), de Saxe, alguns territórios na Espanha, as possessões bizantinas e nos países eslavos; expedições contra os Ávaros e os Bretões.
A consolidação e o alargamento do território[editar | editar código-fonte]
Rebelião na Aquitânia[editar | editar código-fonte]
Uma herança nos países que estavam anteriormente sob o direito romano (ius) representava não apenas transmissão de propriedades e privilégios, mas também as obrigações e adversidades vinculadas a ela. Pepino, ao morrer, estava construindo um império, uma tarefa muito difícil[29]
“ Naquele tempo, construir um reino agregando pequenos territórios não era em si algo difícil... Mas mantê-lo intacto após ter se formado era uma tarefa colossal.... Cada um dos estados menores... tinha sua "pequena soberania"... que ... se dedicava principalmente a.... conspirar, pilhar e lutar. ”
Formação da Nova Aquitânia[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Aquitânia
Beato Carlos Magno
Relicário do Beato Carlos Magno
Nascimento 2 de abril de 742 em Liège
Morte 28 de janeiro de 814 (71 anos) em Aachen
Veneração por Igreja Católica (Alemanha e França)
Beatificação 814, Aquisgrano por um bispo da crote, posteriormente confirmado pelo papa Bento XIV[30]
Canonização 1166 por Antipapa Pascoal III[30]
Principal templo Catedral de Aachen
Festa litúrgica 28 de janeiro (Aachen e Osnabruque)
Atribuições Flor de lis; Águia Alemã
Padroeiro Amantes (lícitos e ilícitos), crianças na escola, Reis da França e da Alemanha, cavaleiros, pessoas no cadafalso, cruzados
Gloriole.svg Portal dos Santos
A Aquitânia, sob o jugo romano, compreendia o sul da Gália, que era romanizada e falava a língua românica. De forma similar, a Hispânia havia sido povoada por povos que falavam diversas línguas, incluindo o celta, mas que era agora povoado inteiramente por falantes do românico. Entre a Aquitânia e a Hispânia estavam os Euskaldunak, romanizados como vascões ou bascos[31], vivendo no País Basco, a "Vascônia", que se estendia por um território que estava em acordo com a distribuição dos topônimos atribuíveis aos bascos, principalmente na parte oriental dos Pirenéus, mas também mais ao sul, chegando ao rio Ebro, na Espanha, e ao norte, até o Garone, na França[32]. O nome francês, Gasconha, é derivado de "Vascônia".
Após a queda dos romanos, os visigodos os substituíram na Espanha e pelos francos e visigodos ao norte. Embora eles tivessem a autoridade estatal, estas tribos germânicas se assentaram de forma tênue, para dizer o mínimo. Elas não mantiveram a sua linguagem por muito tempo e acabaram assimiladas pelas populações falantes do românico que ali existiam. O românico ainda era falado em Toulouse e nas redondezas para o oriente, até o rio Ebro. As autoridades da região mantinham relações com os bascos, que eram combativos como sempre, e mantinham a vantagem na região. Eles começaram a atacar e pilhar ao norte e leste de suas fronteiras num território que já era governado pelos merovíngios, tomando escravos ao norte para vender ao sul. Exército após exército foi enviado pelos francos e, quando os bascos não conseguiam derrotá-los, eles recuavam para as montanhas. Em 635 d.C., uma coluna franca sob Arneberto foi massacrada em Haute Sole, um vale alpino[33].
Por volta de 660 d.C., o ducado da Vascônia, foi unido sob ordens do Duque de Aquitânia para formar um reino único sob Félix de Aquitânia a partir de Toulouse. Este seria um reinado conjunto com Lupus I, de apenas 28 anos, o rei basco[34]. O reino era independente e soberano. Por outro lado, a Vascônia desistiu de suas atitudes predatórias para passar a atuar na política europeia. Contudo, arranjos que Félix havia feito com os agora fracos merovíngios se mostraram inúteis e inválidos. Ao morrer, em 770, a propriedade conjunta reverteu inteiramente para Lupus. Como os bascos não tinham nenhuma lei sobre a herança conjunta, apesar de praticarem a primogenitura, Lupus foi, de fato, o fundador da dinastia hereditária dos reis bascos e de uma Aquitânia expandida[35].
Aquisição da Aquitânia pelos carolíngios[editar | editar código-fonte]
As crônicas latinas sobre o final do Reino Visigótico deixam muito a desejar: a identificação de personagens, várias lacunas e numerosas contradições[36]. As fontes sarracenas, porém, apresentam uma visão mais coerente, como a Ta'rikh iftitah al-Andalus ("História da conquista de al-Andalus") por Ibn al-Qūṭiyya, "o filho de uma mulher goda", onde a citada Sarah seria a neta do último rei de toda a Hispânia visigoda, que se casou com um sarraceno. Ibn al-Qūṭiyya, que tinha outro nome muito muito mais longo, certamente confiava, em algum grau, na tradição oral desta família. Se todos os reinos foram destruídos pela invasão dos sarracenos, então Rodrigo parece ter reinado por uns poucos anos antes da maioridade de Áquila. O reinado deste último, por sua vez, pode ser localizado com alguma segurança no noroeste da península, enquanto que Rodrigo parece ter reinado no resto, notadamente em Portugal.
De acordo com ele[37], o último rei visigodo de uma Hispânia unida morreu antes que seus três filhos, Almundo, Rômulo e Arbasto, chegassem à maioridade. A mãe deles era regente em Toledo, mas Rodrigo, o "ministro" do exército, deu um golpe militar e capturou Córdova. De todos os possíveis desfechos, ele escolheu impor um governo conjunto dos três herdeiros verdadeiros sobre diferentes jurisdições. A evidência de uma divisão de alguma forma pode ser encontrada na distribuição das moedas cunhadas com o nome de cada rei e também nas listas reais[38]. Vitiza foi sucedido por Rodrigo, reinando sete anos e meio, e um tal Áquila, que reinou por três anos e meio.
Áquila é indubitavelmente Áquila II das moedas e das crônicas, que as crônicas afirmam ser filho de Vitiza. Como ele entra na árvore genealógica da família da mulher goda é um problema. Um erro de cópia na transmissão do manuscrito de seu filho já foi proposto: "w.q.l.h" ("Waqla") se tornaria "r.m.l.h" ("Rumulu") - o árabe, assim como o hebraico, escreve apenas as consoantes. Ardabasto é geralmente identificado como sendo Ardo, o rei da Septimânia (713-720)[39]. A localização da parte de Almundo ("Olemundo"?) não foi preservada, mas que ele certamente tinha uma é um fato que se infere pelos eventos seguintes.
No relato, um mercador cristão, Juliano, deixou a sua filha sob a guarda de Rodrigo (a mãe havia morrido recentemente) enquanto ele viajava a negócios a pedido de Rodrigo no Norte da África. Quando ele retornou, ele descobriu que sua filha havia sido seduzida por Rodrigo. Fingindo não se importar e aceitar o evento, ele convenceu Rodrigo a enviá-lo em outra viagem. Chegando ao destino, porém, ele foi diretamente a Tárique e o convenceu a invadir al-Andalus. No caminho, o profeta Maomé teria aparecido para Tárique num sonho e estimulado-o a continuar. Quando os sarracenos desembarcaram no sul da Espanha, Rodrigo, que tinha se estabelecido em Córdova, procurou os três filhos de Vitiza pedindo por ajuda na defesa comum. Os três vieram, mas não chegaram sequer a entrar na cidade, enviando um emissário a Tárique em vez disso para afirmar que Rodrigo não era melhor do que um cão e oferecendo sua submissão e ajuda em troca de manterem suas terras ancestrais e seus privilégios[40]. A oferta foi aceita e Rodrigo foi derrotado na Batalha de Guadalete. Não fica claro se os reis visigodos lutaram contra ele ou apenas evitaram ajudá-lo. "Pressionado pelas armas, ele se atirou na água e nunca mais foi encontrado".
Os três reis viajaram então até Damasco para confirmar a sua submissão[41]: "Áquila foi nomeado rei dos godos, mas em 714 ele viajou com os seus irmãos para Damasco e vendeu o reino para o califa Walid I (r. 705-715) por terras e dinheiro". Ardo continuou como um rei-cliente na Provença. Com a morte de Almundo, ele se apoderou da parte dele contra a vontade de seus herdeiros, que foram até a Síria para apelar ao califa. Os sarracenos rapidamente tomaram partido e atacaram Ardo, contudo os herdeiros também jamais recuperaram as suas terras. Um deles se tornou um bispo cristão e a menina, Sarah, aceitou se casar com um sarraceno, entrando para a história como "a mulher goda" da crônica de Ibn al-Qūṭiyya, com um papel importante na Espanha moura.
Os sarracenos atravessaram as montanhas dos Pirenéus para capturar a Septimânia de Ardo e lá encontraram a dinastia basca da Aquitânia, sempre aliada dos godos. Odo, o Grande da Aquitânia foi a princípio vitorioso na Batalha de Toulouse (ou de Bourdeaux) em 721[42]. As tropas sarracenas gradualmente se acumulavam na região e, em 732, avançaram sobre a Vascônia, derrotando Odo na Batalha do Rio Garonne. Eles tomaram Bordeaux e estavam avançando em direção a Tours quando Odo, incapaz de pará-los, apelou ao seu arqui-inimigo, Carlos Martel, o prefeito dos francos. Em uma das marchas-relâmpago que fariam a fama dos reis carolíngios, Carlos e seu inimigo cruzaram o caminho do inimigo entre Tours e Poitiers, resolvendo definitivamente a questão na famosa Batalha de Tours, parando ali o avanço sarraceno na Europa. Os mouros foram derrotados de forma tão conclusiva que eles recuaram para além das montanhas, jamais retornando, deixando a Septimânia como parte da Frância. Odo pagou o preço e terminou com suas posses incorporadas ao reino de Carlos, uma decisão que era repugnante para ele e para os seus herdeiros.
Perda e recuperação da Aquitânia[editar | editar código-fonte]
Após a morte de seu filho, Hunaldo se aliou com o Reino Lombardo, uma violação da soberania da Frância. Porém, Odo havia deixado o reino de forma ambígua para os seus dois filhos "conjuntamente", Hunaldo e Hatoo. Este último, leal à Frância, entrou em guerra com o irmão para se apoderar do reino todo. Vitorioso, Hunaldo cegou e aprisionou o irmão, mas se sentiu tão mal com o ato que renunciou e entrou para uma igreja como monge para se penitenciar[43]. Seu filho, Waifer recebeu a herança adiantada e se tornou duque da Aquitânia, herdando também a aliança com os lombardos. Waifer decidiu honrá-la, repetindo a traição do pai, o que ele justificou argumentando que quaisquer acordos com Carlos Martel teriam se invalidado com a sua morte. Como a Aquitânia agora era herança de Pepino, ele e seu filho, o jovem Carlos, caçaram Waifer, que só tinha condições de conduzir uma guerra de guerrilha, e o executaram[44].
Entre os contingentes do exército franco estavam bávaros sob Tassilo III, duque da Bavária, um membro da família Agilofing, herdeiros da família real bávara. Grifo tinha se instalado como duque, mas Pepino o substituiu por um membro da família real, Tassilo, que ainda era um infante, e se tornou o protetor do garoto após a morte de seu pai. A lealdade dos Agilofings sempre foi uma dúvida, mas Pepino conseguiu extrair diversos juramentos de lealdade de Tassilo. Porém, ele se casou com Liutperga, uma filha de Desidério, rei dos lombardos. Num momento crítico da campanha, Tassilo, com todos os seus bávaros, abandonaram a batalha. Fora do alcance de Pepino, ele repudiou a lealdade à Frância[45]. Pepino não teve chance de responder, pois ficou doente e, depois de algumas semanas da execução de Waifer, faleceu.
O primeiro evento do reinado dos irmãos foi a rebelião da Aquitânia e da Gasconha, em 769, no território agora divido entre os dois reis. Anos antes, Pepino já havia suprimido a revolta de Waifer e agora um outro Hunaldo, diferente do anterior, liderou os exércitos da Aquitânia até chegar em Angoulême. Carlos se encontrou com Carlomano, mas ele se recusou a participar, retornando para a Borgonha. Carlos foi à guerra liderando um exército até Bordéus, onde ele montou uma fortaleza em Fronsac. Hunaldo foi forçado a fugir para a corte do duque Lop II da Gasconha (ou Lupus). Este, temendo Carlos, entregou Hunaldo em troca da paz. O rebelde foi colocado num mosteiro e a Aquitânia finalmente se submeteu completamente à Frância.
Em 781, Luís é coroado em Roma rei da Aquitânia. Este reino da Aquitânia permanece na mesma até à chegada do império de Luís em 814, com duas dependências: o Ducado da Gasconha, no sul da Garona, onde Sancho Lopo sucedeu a Lupo II; o Condado da Septimânia (Narbona, Carcassona), dirigido pelo conde Milo, um visigodo e depois por Guilherme de Tolosa, conde de Toulouse e marquês da Septimânia a partir de 790 em diante.
A Itália[editar | editar código-fonte]
De todas as guerras de Carlos Magno aquelas em que ele se envolveu contra os Lombardos são as mais importantes pelas consequências políticas e são também aquelas onde se demonstra mais claramente a ligação intimamente ligada à conduta de Carlos, ao seu pai. A aliança com a cúria romana exigida, não só no interesse do país, mas mesmo do rei dos Francos. Pepino, o Breve esperava, no fim do seu reinado, um acordo pacifico com os Lombardos. Em 770, Carlos assinou um tratado com o duque Tassilo III da Bavária e se casou com uma princesa lombarda (geralmente conhecida como Desiderata), filha do rei Desidério, para cercar Carlomano com seus aliados. Embora o papa Estêvão III a princípio tenha sido contrário ao casamento com a princesa lombarda, ele logo perceberia que nada tinha a temer de uma aliança franco-lombarda. Os Lombardos continuaram a atacar Roma e o seu rei conjecturou intrigas perigosas com o duque da Baviera e a propria irmã de Carlos.
Em 773, Carlos Magno interveio na demanda do papa contra Desisério. O exército franco atravessou os Alpes durante o verão de 773, cercou Pavia (setembro) e ocupou assim facilmente o resto do Reino Lombardo. Pavia esfomeada e vítima de epidemias caiu em 774. Carlos Magno assumiu ele próprio o título de "rei dos Lombardos": Gratia Dei Rex Francorum et Langobardorum («rei dos Francos e dos Lombardos pela graça de Deus») a 10 de julho de 774 enquanto que certos historiadores afirmam que ele foi proclamado rei pelo arcebispo de Milão que lhe colocou a coroa de ferro lombarda na cabeça. Desidério foi enviado como monge na abadia de Corbie e o resto da sua família também foi neutralizada, à excepção de Adalgis que se refugiou em Constantinopla. O ducado de Espoleto submeteu-se à dominação franca e aceitou como duque um protegido do papa, Hildebrando. O ducado de Benevento permaneceu nas mãos de Arigis, genro de Desidério, mas deve fornecer reféns, em particular o seu filho Grimoaldo que foi elevado na corte. Em 776, os Francos conquistam o ducado do Friul.
Menos de um ano após seu casamento, Carlos Magno repudiou Desiderata e rapidamente se casou novamente com uma garota suábia de 13 anos chamada Hildegarda. A esposa repudiada voltou para a corte de seu pai em Pavia. Os lombardos, furiosos, teriam se aliado com Carlomano, agora rebaptizado Pepino, que foi coroado em Roma rei de Itália, título que não correspondia a um Estado formal. Por seguinte, Pepino assume sob o controlo de Carlos Magno a função de rei dos Lombardos. A principal personalidade do reino é Adalardo, primo de Carlos Magno. Os problemas são assim numerosos: as relações com Arigis e com os bizantinos.
Assim, o Estado lombardo, desde o nascimento tinha posto um fim à unidade política de Itália, atraindo sobre ela, moribunda, a conquista estrangeira. Ela não era mais doravante que um apêndice da monarquia franca da qual não se devia separar, no fim do século IX, para cair rapidamente sob domínio germânico. Devido a um reverso completo do sentido da história, ela que tinha anexado o norte da Europa era agora mantida anexada por ele; e este destino não está num sentido que uma consequência das mudanças políticas que a tinham transportado do Mediterrâneo para o norte da Gália, o centro da gravidade do mundo ocidental.[necessário esclarecer]
E portanto é Roma, mas a Roma dos papas, que decide a sua sorte. Não vemos o interesse que teria empurrada os carolíngios a atacar e conquistar o Reino Lombardo se a sua aliança com o papado não os obrigasse. A influência da Igreja, libertada da tutela bizantina, que desde então atuou sobre a política da Europa, apareceu aqui pela primeira vez às claras. O Estado não pode doravante separar-se da Igreja. Entre ela e ele forma-se uma associação de serviços mútuos que, misturando-os sem deixar um ou outro, misturando assim as questões espirituais com questões temporais e fazia da religião o factor essencial na ordem política. A reconstituição do Império Romano, em 800, é a manifestação definitiva de esta citação nova e a garantia da sua duração futura[46]
A Saxónia[editar | editar código-fonte]
Do lado de lá do rio Reno, um poderoso povo conservava ainda, com a sua independência, a fidelidade ao velho culto nacional: os Saxões, repartidos entre quatro grupos (Westphales, Ostphales, Agrivarii, Nordalbingiens) e estabelecidos entre o Ems e o Elba, desde as costas do mar do Norte até as montanhas do Harz.
Ao contrário dos demais Germânicos, é por mar que na época das grande invasões, eles procuram novas terras. Durante todo o século V, os seus barcos inquietaram as costas da Gália assim como as da Grã-Bretanha. Houve estabelecimentos saxões, ainda hoje reconhecíveis na forma de nomes de locais, na foz do rio Canche e do rio Loire. Mas é apenas na Grã-Bretanha que os Saxões e os Anglos, e povos do sul da Jutlândia estreitamente aparentados a eles, se estabelecem de forma duradoura. Eles revoltaram a população celta da ilha nos distritos montanhosos do oeste, Cornualha e país de Gales, onde esta se encontrava muito próxima, e ela emigrará no século VI na Armórica, que portanto adquiriu o nome de Bretanha como a parte conquistada da Grã-Bretanha recebeu o nome de Inglaterra. Estes saxões insulares não conservaram relações com os seus compatriotas do continente. Eles tinham-nos tão esquecidos que na época, tendo sido convertidos por Gregório, o Grande, comprometeram-se na conversão dos Germânicos, e foi para a Alta Alemanha que eles dirigiram os seus esforços.
A meio do século VIII, os Saxões continentais estavam relativamente preservados da influência romana e cretiana. Durante a romanização dos seus vizinhos ou a sua conversão, as suas instituições e a sua cultura nacional próprias desenvolviam-se e afirmavam-se. O reino franco, do qual eles eram limítrofes, não era capaz de exercer sobre eles o prestigio e a atração cujo Império Romano tinha sido objeto por parte dos bárbaros. Ao lado deste, eles conservaram a sua independência na qual eles tinham tudo o que lhes permitiu pilhar as províncias limítrofes. Eles eram agarrados à sua religião como à marca e à garantia da sua independência.[46]
Desde 748, eles foram tributários do reino franco. O tributo de 300 cavalos por ano, estabelecido em 758, no entanto não é pago até ao fim do reinado de Pepino, o Breve e o reino é submetido regularmente a incursões saxónicas.
Carlos Magno fez a sua primeira expedição na Saxónia em 772, destruindo em particular o principal santuário, o Irminsul, símbolo da resistência do paganismo saxónico e local de reunião dos pagãos que lhe faziam uma oferenda após cada vitória. Depois, a partir de 776, após intermédio italiano, iniciou-se uma guerra feroz contra os Saxões, que comandados por Viduquind, um chefe vestefálio, lhes opôs uma vigorosa resistência. Após várias campanhas marcadas pela devastação de diferentes partes da Saxónia e a submissão provisória dos chefes, mas também por um reverso grave dos Francos em 782 em Süntel, além do Weser. Esta derrota leva a uma operação de represálias que termina no massacre de 4500 Saxões em Verden. Widukind acabou por submeter-se em 785 e foi baptizado.
Carlos Magno impôs então a Capitulaire De partibus Saxoniae (primeiro capítulo saxão), uma legislação de excepção que previa a pena de morte para as numerosas infracções, em particular para toda a manifestação de paganismo (cremação de defuntos, recusa do baptismo para os recém-nascidos). Uma política de deportação dos Saxões e de colonização pelos Francos ocorre ao mesmo tempo. A legislação de excepção chega ao fim em 797 (terceiro capítulo saxão), mas a submissão definitiva só é verdadeiramente atingida em 804.
Até agora o cristianismo espalhara-se de forma relativamente pacifica entre os Germânicos. Na Saxónia contudo Carlos Magno foi obrigado a usar a força. Daí que as violências contra todos os que sacrificaram aos seus "ídolos" e a fúria que levou os Saxões a defender os seus deuses tornaram-se a proteção das suas liberdades. Para certos milhares de nacionalistas germânicos, a imagem de Carlos Magno é a do "Carrasco dos Saxões" em resultado do massacre de Verden.[47] Assim em 1935, para comemorar o evento, o regime nazi construiu o monumento de Sachsenhain.
A conquista dos Saxões permitiu igualmente colocar um fim uma vez por todas na ameaça permanente que os Saxões faziam pesar sobre a segurança do reino franco. Uma vez a anexação e a conversão da Saxónia, o último elemento da antiga Germânia, concluídas, a fronteira oriental do Império Carolíngio atinge o Elba e o Saale. Ele dirigia-se desde a cabeça do Adriático pelas montanhas da Boémia e do Danúbio, englobando o país dos bávaros.[48]
A Espanha[editar | editar código-fonte]
Desde a sua derrota em Poitiers, os muçulmanos não tinham mais ameaçado a Gália. A retaguarda que eles tinham deixado no país de Narbona tinha sido reprimida por Pepino, o Breve. A Espanha, onde haveria de se instalar o emirado de Córdova, já não olharia mais para o Norte e a civilização brilhante lá se espalhou sob os primeiros Omíadas, dirigindo a sua actividade para as instituições islâmicas próximas ao Mediterrâneo. A rapidez do progresso do Islão nas ciências, nas artes, na indústria, o comércio é quase tão surpreendente como a rapidez das suas conquistas. Mas estes progressos tiveram naturalmente por consequência o desviar das suas energias das grandes empresas de proseletismo para as concentrarem sobre si mesmo. Ao mesmo tempo que as ciências se desenvolveram e que e a arte se expandiu, surgiram as querelas religiosas e políticas. A Espanha não foi mais poupada que o resto do mundo muçulmano.
Aliança com Suleyman Ibn al-Arabi (777)[editar | editar código-fonte]
Em 777, depois da assembleia de Paderborn, na Saxónia, Carlos Magno recebeu os emissários de vários governos muçulmanos de Espanha, incluindo o de Barcelona, em rebelião contra o emirado de Córdoba. Sulayman concordou permitir aos Francos a apreensão de Saragoça. Carlos Magno decide acompanhar e intervir no norte de Espanha, provavelmente não por motivos religiosos ( cartas do papa desta época mostram que este preferia um intervenção em Itália, contra os cretianos), mas sobretudo para segurança da fronteira sul da Aquitânia.
A expedição de 778[editar | editar código-fonte]
Uma dupla expedição ocorreu na primavera de 778, e durante o verão os dois exércitos reuniram-se antes de Saragoça, mas neste momento, a cidade é mantida por legalistas, contrariamente ao que alegou Suleyman. Ameaçados de uma intervenção do Emir de Córdoba, os Francos levantam o cerco e deixam Espanha, após terem pilhado Pamplona. Esta falha é aumentada pelo revés muito grave sofrido pela retaguarda de Carlos Magno pelos Vascões, senhores da travessia dos Pirenéus. A emboscada[49], é principalmente conduzida pelos Bascos, mas é provável que tenham também participado os habitantes de Pamplona e os ex-aliados muçulmanos de Carlos Magno[50], insatisfeito com um recuo rápido (apresentados por Suleyman os reféns são libertados durante a operação).
Para os contemporâneos, esta expedição passou um pouco despercebida. A lembrança do conde Rolando morto na emboscada não se perpetuou antes de tudo do que pelas pessoas da sua província, na terra de Coutances. Levou ao entusiasmo religioso e guerreiro que se apreendeu na Europa na época de Primeira Cruzada por fazer de Rolando o mais heroico dos valentes da epopeia francesa e cristã e transformar a campanha na qual ele entrorará a morte numa luta gigantesca contra o Islão por « Carles li reis nostre emperere magne»[51].
A constituição da Marca Espanhola (785-810)[editar | editar código-fonte]
Depois disso, Carlos Magno não interveio mais pessoalmente em Espanha, deixando o cuidado das operações aos responsáveis militares da Aquitânia, os condes de Toulouse Chorson, depois Guilherme de Tolosa, depois o rei Luís. Apesar de uma derrota sofrida por Guilherme na Septimânia (793), os Aquitânios eram capazes de conquistar quaisquer territórios em Espanha: incluindo Gerona, Barcelona (801), a Cerdanha e Urgel. No entanto, apesar de três tentativas por parte de Luís, eles não conseguem tomar Tortosa. Em 814, Saragoça e o vale do Ebro permanecem muçulmanos, assim por muito tempo.
Os territórios reconquistados formam a Marcha de Espanha.
Outros[editar | editar código-fonte]
A Baviera[editar | editar código-fonte]
Desde 748, ela é dirigida pelo duque Tassilo III, neto de Carlos Martel, empossado por Pepino, o Breve a quando da morte do duque Odilo. Contudo Tassilo procurou preservar a sua independência, casando em 763 com Liuteberga, filha de Desidério e futura cunhada de Carlos Magno.
Embora Tassilo não tenha intervindo após a campanha contra os Lombardos em 773-774, Carlos Magno esforça-se para reforçar o seu controlo. Tassilo teve de prestar juramento de fidelidade em 781, depois novamente em 787. Em 788, é colocado em julgamento perante a assembleia, condenado à morte, depois perdoado e trancado num mosteiro com a sua esposa e seus dois filhos. Carlos Magno nomeou condes para a Baviera e coloca o seu cunhado Geraldo á frente do exército com o título de prefeito. Em 794, Tassilo comparece de novo perante uma assembleia e proclama a sua renúncia ao trono da Baviera, doravante totalmente integrado no reino franco.
Os Ávaros[editar | editar código-fonte]
Este povo de cavaleiros, de origem turca, tinha no século VI anexado os Gépidas (com auxilio dos Lombardos) e desde então instalados no vale do Danúbio, de onde assediavam por vezes o Império Bizantino e a Baviera.
Em 791, com ajuda do seu filho Pepino de Itália, Carlos Magno conduz contra os ávaros uma primeira campanha. Em 795, ele consegue tomar o seu campo entrincheirado, o "Anel Ávaro", com um tesouro considerável, fruto de várias dezenas de anos de pilhagem. Em 805, os últimos Ávaros rebeldes são definitivamente submetidos.
Estas foram as campanhas de extermínio. Os Ávaros foram massacrados ao ponto de desaparecerem muitos indivíduos. A operação terminou, Carlos, para combater as novas agressões, lança em todo o vale do Danúbio uma Marca, como quem diz um território de guarda submisso a uma administração militar. Esta foi a "marca" oriental (marca orientalis), ponto de partida da Austria moderna que ainda conserva o nome.[52]
Os Frísios[editar | editar código-fonte]
A anexação da Frísia Oriental (a região estende-se do golfo Zuiderzee até à foz do Weser) pelos Francos não ocorreu, aparentemente, antes de 782, ou 785. A situação permaneceu tensa durante vários anos para os Francos.
Os Bretões[editar | editar código-fonte]
A partir do século V, os Bretões são cristãos organizados em chefias, dirigidos pelos machtiern. Eles ocupavam a oeste da península armoricana (atual Bretanha: Domnonée, Cornouaille e Vannetais). Vannetais (Broerec para os bretões) foi tomado pelos Francos. No final do século VIII, os condados de Nantes, Rennes e Vannes formam a Marca da Bretanha. Os Bretões são no início tributários do reino franco, mas isso não impede as operações de saque.
Em 786, Carlos Magno enviou uma grande força para submeter os machtiern. Outras expedições são organizadas mais tarde em 799, com o conde Guy de Nantes, de seguida, em 811, sempre com sucesso limitado. No entanto, parte da aristocracia Bretã fornece pessoal à monarquia franca; é desta , que durante o reinado de Luís, o Piedoso, sairá Nominoë.
Os Eslavos[editar | editar código-fonte]
Antes do final do século VII, os eslavos tinham avançado na Europa Central. Eles tinham tomado posse da terra abandonada pelos Germânicos entre o Vístula e o Elba, pelos Lombardos e os Gépidas na Boémia e Morávia. De lá, eles atravessaram o Danúbio e entraram na Trácia, de onde se espalharam para as costas do Adriático.
Este lado mais uma vez, foi a segurança do império. Desde 807 outras "marcas" foram estabelecidos ao longo do Elba e do Saale, barrando o caminho às tribos eslavas dos Sorábios e Obotritas. Esta fronteira foi, ao mesmo tempo, como o Reno no quarto e quinto século,ou seja, a fronteira entre a Europa cristã e o paganismo. É interessante para avaliação das ideias religiosas da época, observar que não houve um renascimento momentâneo da escravidão. O paganismo dos eslavos colocava-os, na visão da religião dominante, além da humanidade: aqueles dentre eles que foram capturados eram vendidos como gado. Além disso, a palavra que na maioria das línguas ocidentais significa escravo (esclave, sklave, slaaf) nada mais é do que o mesmo nome do povo eslavo.[53]
Ascendência[editar | editar código-fonte]
Tumba de Carlos Martel, em Saint-Denis
16. Ansegisel
8. Pepino de Herstal
17. Begga de Landen
4. Carlos Martel
18. Childebrando da Saxônia
9. Alpaida
19.
2. Pepino, o Breve
20. Guerin, conde de Paris
10. Santo Lievin, Conde de Trier
21. Gunza de Trêves
5. Rotrude de Trier
22.
11. Guilgarda de Worms
23.
1. Carlos Magno
24.
12.
25.
6. Cariberto de Laon
26. Teodorico III da Nêustria
13. Berta de Prum
27. Santa Clotilde de Herstal
3. Berta de Laon
28. Teodo V da Baviera
14. Grimualdo da Baviera
29. Folchaid da Baviera
7. Berta da Beviera
30. Dagoberto I da Austrásia
15. Biltrude da Baviera
31. Nanthilde da Austrásia
Vida[editar | editar código-fonte]
Carlos Magno e o Papa Adriano I, por Antoine Vérard
Carlos Magno foi o filho mais velho de Pepino, o Breve[54], que foi o primeiro rei carolíngio, e de Berta de Laon. Foi irmão de Lady Berta, mãe de Rolando, marquês da Bretanha. Sua ascendência paterna chega até Arnulfo de Metz, um bispo cuja filiação é incerta.
Pepino, o Breve empossou o monopólio da cunhagem da moeda, decidindo sobre a atividade das casas de cunhagem, o peso das moedas, o seu valor e os caracteres representados.
A cunhagem de moeda na Europa foi, pois, reiniciada com Pepino, o Breve, que recuperou o sistema utilizado pelos antigos gregos e romanos e mantido no Império Romano do Ocidente (1 libra = 20 soldos = 240 denários).
Com a morte de Pepino, o reino foi dividido entre Carlos Magno e o seu irmão Carlomano (que governou a Austrásia). Carlomano morreu em 5 de dezembro de 771, deixando Carlos Magno como líder de um reino Franco reunificado. Carlos Magno esteve envolvido constantemente em batalhas durante o seu reinado. Conquistou a Saxónia no século VIII, um objetivo que foi o sonho inalcançável de Augusto. Foram necessários mais de dezoito batalhas para que Carlos Magno conseguisse esta vitória definitiva. Procedeu à conversão forçada ao cristianismo dos povos conquistados, massacrando os que se recusavam a converter-se. Um dos seus objetivos era, também conquistar a península Ibérica, mas nunca o alcançou.
A coroação imperial (25 de dezembro de 800)[editar | editar código-fonte]
Os factores gerais da coroação[editar | editar código-fonte]
A situação na Europa Ocidental[editar | editar código-fonte]
Expandida através da conquista no leste do Elba e Danúbio, no sul de Benevento e do Ebro, a monarquia franca no final do século VIII, domina quase todo o Ocidente cristão. Os pequenos reinos anglo-saxões e ibéricos, que ela não absorveu, representam uma quantidade insignificante e lhe prestam provas de deferência o que praticamente equivale ao reconhecimento do seu protectorado. Na verdade, o poder de Carlos estende-se a todos os países e todas as pessoas que reconhecem o Papa de Roma, Vigário de Cristo e chefe da Igreja. Fora isso, ou é o mundo bárbaro do paganismo, ou o mundo inimigo do Islão, ou, finalmente, o velho Império Bizantino, cristão, talvez, mas uma ortodoxia muito caprichosa e de mais a mais agrupavam-se em torno do Patriarca de Constantinopla e deixavam o Papa de lado.
A própria ideia de império, está presente nas mentes de muitas pessoas no final dos anos de 790, especialmente em Alcuíno.
A situação no Império Bizantino[editar | editar código-fonte]
Desde 792, o império é realmente dirigido por Irene, mãe do imperador Constantino VI, mas em 797, ela assume oficialmente o título de basileu, que na sociedade da época é um pouco incongruente, especialmente porque o seu filho morreu pouco depois de ter sido cegado por ordem de Irene. Os círculos carolíngios acreditam que, sob estas condições, a título imperial bizantino já não é válido.
A situação do papado[editar | editar código-fonte]
Outro fator é a relação entre o papa e as autoridades bizantinas: o imperador e o patriarca de Constantinopla. A autoridade do papa é considerada fraca contra a do patriarca de Constantinopla, apoiado por um estado ainda rico e poderoso. O prestígio de Roma só se pode recuperar se o próprio papa se basear num estado poderoso, que foi o que o papado encontrou no reino franco dos carolíngios, pelo que qualquer aumento do prestígio do reino franco foi favorável ao papado.
Em 796, o papa Adriano I foi substituído por Leão III, cuja posição em Roma era muito menor do que a do seu antecessor face à hierarquia eclesiástica e face à nobreza romana, embora ele tenha sido eleito muito rápida e facilmente. É particularmente perseguido por rumores sobre a imoralidade do seu comportamento. Leão III é muito dependente da protecção de Carlos Magno.
O atentado contra Leão III e consequências[editar | editar código-fonte]
A 25 de abril de 799, Leão III sofreu um ataque real: durante a procissão da Grande Ladainha, foi puxado para baixo da sua mula, molestado e preso. Rumores de que os seus agressores teriam lhe cortado a língua e o cegado, o que revelar-se-ia inexacto, mas que permitem falar-se de um milagre. Poucos dias depois, ele foi libertado através da intervenção do duque franco Vinigis de Espoleto, que o leva a Espoleto, em seguida, com os missi de Carlos Magno, é organizada uma viagem papal a Paderborn.
De Paderborn a Roma[editar | editar código-fonte]
Leão III gasta cerca de um mês em Paderborn, encontrando várias vezes Carlos Magno. O conteúdo político das suas discussões é ignorado. Não sabemos, especialmente se a atribuição do título imperial foi discutido. Mas podemos notar que um poema escrito durante esta entrevista, fala sobre Carlos Magno como o Pai da Europa e Aquisgrano como a Terceira Roma. Em qualquer caso, Carlos Magno concorda em ir a Roma para lidar com a disputa entre Leão e os seus oponentes.
Parece que Carlos Magno tinha planeado uma viagem a Roma no início de 799, antes da crise, já que numa carta Alcuíno pediu para ser dispensado por motivos de saúde. A viagem é confirmada em Paderborn, mas Carlos Magno não se precipita para Roma. Ele dá tempo para Leão restaurar a sua posição em Roma. Também é possível que lhe pareça aconselhável estar em Roma para o Natal do ano de 800.
Leão está de volta a Roma, com um acompanhante e alguns dignitários francos no final de outubro de 799; os missi recebem uma reclamação formal contra ele. Uma comissão reúne-se em Latrão[55] e uma investigação é conduzida. No geral, apesar de tudo, a situação de Leão é quase restaurada.
Carlos Magno passa a primavera e o verão de 800 em viagem na Nêustria, prolonga-se particularmente em Bolonha, que é considerado o problema de defesa costeira, depois em Tours, onde reencontra Alcuíno, mas também Luís da Aquitânia. Depois, então, parte para Itália, uma expedição militar contra o Ducado de Benevento também está sendo considerada. O cortejo pára em Ravena: Pepino é enviado contra Benevento, enquanto Carlos Magno parte para Roma.
Ele chega aos arredores de Roma, a 23 de novembro. De acordo com o protocolo bizantino, o basileu, se viesse a Roma, devia ser saudado pelo próprio papa, a seis mil quilómetros de Roma. Por isso, é significativo que Carlos Magno, único rei dos Francos e dos Lombardos, seja acolhido pelo papa a 12 milhas, em Mentana.[56]
Carlos Magno vence Roma, em 24 e estabelece-se no Vaticano, fora dos muros da cidade.
Dezembro de 800[editar | editar código-fonte]
Após uma semana de cerimónias religiosas e Laudes, Carlos Magno decidiu fazer um julgamento de Leão III e, ao mesmo tempo, aos conspiradores de 799. Uma assembleia de prelados francos e romanos, presidida por Carlos Magno, foi realizada em Saint-Pierre[desambiguação necessária]: durou até 23 de dezembro. Os responsáveis pelo ataque, na presença de Carlos Magno, renunciaram a acusar o papa, e cada um tentou culpar os outros. Eles foram condenados à morte, a sentença foi de seguida convertida em banimento. Quanto a Leão III, na ausência de acusadores, Carlos Magno poderia parar por aí. Mas ele impôs-lhe um processo de julgamento por juramento purgatório, um processo germânico.[57]
O juramento a 23 de dezembro: Leão jura que não cometeu nenhum dos crimes de que é acusado. De seguida, a reunião levantou a questão da adesão de Carlos Magno ao título imperial. Os argumentos utilizados, provavelmente pelos prelados a seguir a Carlos Magno[58], preocupados com a vaga no trono de Constantinopla e o fato de que Carlos Magno tem sob seu controle as antigas residências imperiais do Ocidente, incluindo Roma, mas também Ravena, Milão, Tréveris. A assembleia saúda estes argumentos e Carlos Magno aceita a honra que lhe é oferecida.
Estava previsto que uma cerimónia aconteceria a 25 de dezembro, por ocasião da missa de Natal, que normalmente ocorre em São João de Latrão, mas desta vez será realizada na Basílica de São Pedro.
A cerimónia de 25 de dezembro[editar | editar código-fonte]
A 25 de dezembro de 800, durante a missa de Natal em Roma, o papa Leão III coroou Carlos Magno como imperador do Ocidente[54], título em desuso no ocidente desde a abdicação de Rómulo Augusto em 476 (aproveitando o facto de então reinar no Oriente uma mulher, a imperatriz Irene de Atenas, o que era considerado um vazio de poder significativo). Ele mostra-se irritado dos seus ritos de coroação serem revertidos a favor do Papa. De fato, este último retira-lhe de repente a coroa sobre a cabeça enquanto ele reza, e só então o faz aclamar e se ajoelha diante dele. Uma maneira de dizer que é ele, o papa, que faz o imperador - o que antecipa as muitas querelas dos séculos seguintes entre a Igreja e o império. De acordo com Eginardo, biógrafo de Carlos Magno, o imperador ficou furioso fora da cerimónia: ele teria preferido que se seguisse o ritual bizantino, ou seja, aclamação, coroação e, finalmente, a adoração - ou seja, de acordo com os Anais Reais, o ritual de proskynesis (prostração), o papa ajoelha-se diante do Imperador. É de lembrar este episódio com que Napoleão se preocupa, mil anos mais tarde, na sua coroação na presença do Papa, em que coloca em si mesmo a coroa na cabeça.
Em 813, Carlos Magno tinha mudado a favor de seu filho Luís, o Piedoso, a cerimónia que o tinha ferido: a coroa foi colocada sobre o altar e Luís colocou-a na sua cabeça, sem a intervenção do papa. Esta inovação, que mais tarde desapareceu, não alterou o caráter do império. Voluntária ou involuntariamente, ele permaneceu uma criação da Igreja, algo de fora e acima do monarca e da dinastia. Era em Roma que era a origem e era o papa o único disponível como sucessor e representante de São Pedro. Assim como ele detém a sua autoridade do apóstolo, é em nome do apóstolo que ele confere o poder imperial.[59]
Ainda que o título o ajudasse a afirmar a sua independência em relação a Constantinopla, Carlos Magno apenas o usou bastante mais tarde, já que receava ficar dependente, por outro lado, do poder papal.
A reacção bizantina[editar | editar código-fonte]
Mas o Império Bizantino se recusa a reconhecer a coroação imperial de Carlos Magno, vêem-na como uma usurpação. Carlos e os seus conselheiros argumentam que o Império do Oriente depois de ter caído nas mãos de uma mulher, a Imperatriz Irene de Bizâncio, isso equivale a uma inativação pura e simples do título imperial, o que não pode ser assumida por um homem. Irene procura a paz com os francos, mas a coroação de Carlos Magno como imperador romano é vista em Constantinopla como um acto de rebeldia. No outono de 801, ela propõe a Carlos Magno um projecto de união conjugal para reunificar o Império Romano mas a aristocracia bizantina, hostil a Irene, vê neste projecto um ato de sacrilégio, e organiza um golpe de Estado, em outubro de 802 contra a imperatriz[60].
Com o tratado de paz de Aquisgrano, em 812, o imperador do Oriente Miguel I Rangabe dignou adornar Carlos Magno com o título de Imperador , mas usando fórmulas desviadas evitando pronunciar-se sobre a legitimidade do título, tal como "Carlos, Rei dos Francos (...), chamado a si imperador." É o imperador bizantino Leão V, o Arménio que realmente aceita reconhecer-lhe o título de Imperador do Ocidente em 813.[61]
A teoria carolíngia do império[editar | editar código-fonte]
Carlos Magno considera que a dignidade imperial não lhe é conferida como título pessoal, por seus feitos, e não se espera que seu título que lhe sobreviva. Nos seus actos, o título soberano de "imperador governante do Império Romano, rei dos Francos e Lombardos" (Karolus serenissimus augustus, a Deo coronatus, magnus et pacificus imperator Romanum gubernans Imperium, qui et per misericordiam Dei rex Francorum e Langobardorum). No seu testamento, no ano de 806], ele dividiu o império entre seus filhos, de acordo com o costume franco, e não faz nenhuma menção à dignidade de imperador. Só em 813, quando tem apenas um filho sobrevivente, o futuro Luís, o Piedoso, é que Carlos Magno decide no seu testamento a manutenção de todo o império e o título imperial.
De acordo com os estudiosos da época, como Alcuíno, o príncipe ideal deve ter um propósito religioso, e lutar contra os hereges e pagãos, inclusive através das fronteiras. Mas também deve ter um propósito político: não só contentar-se com a dignidade real, tornar-se imperador do Ocidente. Leão III vai nessa direcção, mas para ele prevalece o poder espiritual sobre o poder temporal, o que explica a organização na coroação de Carlos Magno.
Com esta coroação, Carlos Magno é agora apresentado como um "novo David", um Christus Domini (um "rei-sacerdote")[62].
Fim do reinado[editar | editar código-fonte]
O seu filho Pepino da Itália morreu em 810 e o mais jovem Carlos em 811. Em 813, ele foi apanhado, por cinco concílios provinciais, uma série de disposições relativas à organização do Império. Eles foram ratificados no mesmo ano por uma assembleia geral convocada em Aquisgrano, na qual ele teve a precaução de colocar ele mesmo a coroa imperial na cabeça de Luís, o único sobrevivente dos seus filhos.
Carlos Magno morreu a 28 de janeiro de 814 em Aquisgrano, de uma doença aguda que parece ter sido uma pneumonia.[63]
Segundo Éginhardo,[64] Carlos Magno não teria deixado nenhuma indicação relativa ao seu funeral, após as cerimónias fúnebres simples na Catedral de Aquisgrano (embalsamamento e sepultamento antes da cerimónia durante a qual uma "efígie viva"[65] provavelmente colocada em seu caixão para o representar[66]), ele foi enterrado numa cova no mesmo dia sob o pavimento da Capela Palatina. O monge Ademar de Chabannes, na sua Chronicon, crónica escrita entre 1024 e 1029, torna este funeral mais faustoso, criando o mito de um Otão III, que encontrou uma adega abobadada na qual o Imperador "com a barba que flui" está sentado num banco de ouro, revestido com as suas insígnias imperiais, cingindo a sua espada de ouro, com as mãos um Evangelho de ouro, e sobre a sua cabeça uma coroa com um pedaço da Cruz Verdadeira.[67] Em 1166, Frederico Barbaruiva, depois de obter a canonização de Carlos Magno, faz abrir o túmulo para depositar os seus restos mortais num sarcófago de mármore onde diz "sarcófago de Proserpina", a 27 de julho de 1215 Frederico II começa um segundo translatio num sarcófago de ouro e em prata[68]. Segundo a lenda, durante a exumação, foi encontrado pendurado no pescoço de Carlos Magno o talismã, que ele sempre usava.[69]
Após a sua morte em 814, o seu vasto império é delimitado a oeste pelo oceano Atlântico (excepto a Bretanha), a sul pelo rio Ebro, em Espanha, pelo Volturno, em Itália; a leste pela Saxónia, o Rio Tisza, no sopé dos Cárpatos e o Oder; a norte com o mar Báltico, o rio Eider, mar do Norte e o canal da Mancha.
Aspectos gerais do reinado[editar | editar código-fonte]
Numa observação mais de perto, vê-se que o reinado de Carlos Magno não é apenas a continuação e como um prolongamento do reino de seu pai Pepino, o Breve. Sem originalidade lá aparece: aliança com a Igreja, luta contra os pagãos, lombardos e os muçulmanos, transformações governamentais, preocupação em despertar de seus estudos de descanso, tudo isso já germina em Pepino. Como todos os grandes agitadores da história, Carlos não fez mais do que activar a evolução das necessidades sociais e políticas impostas no seu tempo. O seu papel encaixa-se tão completamente com as novas tendências de seu tempo, que ele parece ser o instrumento e é muito difícil distinguir no seu trabalho o que é pessoal do que é o jogo de circunstâncias.[70]
As relações diplomáticas[editar | editar código-fonte]
Califado Abássida de Bagdá[editar | editar código-fonte]
Estas relações levantam a questão de "Relações com o Islão"; parece que, de fato, os francos, mesmo clérigos, não percebiam neste época os muçulmanos do ponto de vista religioso. O Islão é muito conhecido e mais ou menos equiparado ao paganismo.
Enquanto existe uma tensão entre os francos e do Emirado de Córdoba, que controla a Espanha e realiza os ataques a contra Aquitânia, Carlos Magno tem boas relações com o califa abássida de Bagdá, Harune Arraxide, seu aliado de fato contra o emirado, mas também contra o Império Bizantino. Note-se que os Anais chamam [Harune Arraxide, e às vezes o apresentam como "rei dos persas."
Uma primeira embaixada é enviada por Carlos Magno em 797, a propósito do acesso aos lugares santos de Jerusalém.
Harune responde com uma embaixada que chegou a Itália em 801, portanto, por uma feliz coincidência, logo após a coroação imperial, com notáveis presentes: entre outros, um elefante branco chamado Abul-Abbas, que acompanhou Carlos Magno até à sua morte em 810.[71] O califa também garante a plena liberdade aos peregrinos cristãos.
Outra embaixada de Harune ocorre em 806, desta vez com um relógio hidráulico.
A administração do império[editar | editar código-fonte]
Reduzindo os recursos das áreas privadas, o imperador não poderia atender às necessidades de uma administração digna desse nome. Na falta de dinheiro, o Estado é obrigado a usar os serviços gratuitos da aristocracia, cujo poder não pode crescer se o Estado estiver enfraquecido. Para evitar este perigo, no final do século VIII, uma juramento especial de fidelidade, semelhante à dos vassalos, é exigido aos condes no momento da sua entrada no suporte. Mas a cura é pior do que a doença. De fato, o vínculo de vassalagem, que liga o empregado à pessoa do soberano, enfraquece ou até mesmo cancela a natureza pública do oficial. Faz com que ele, além disso, considere a sua função como um feudo, ou seja, como um bem em que ele tem prazer e não como um poder delegado pela Coroa e exercido em seu nome[72].
A administração do império pelos condes é controlada pelos missi dominici. É provavelmente um empréstimo à Igreja adaptado às necessidades do Estado. Inspirado pela divisão das arquidioceses da Igreja em diversas dioceses, Carlos Magno dividiu o império em grandes distritos (missatica) cada, compreendendo vários municípios. Em cada um desses distritos, dois enviados imperiais, emissários, seculares e eclesiásticos, são responsáveis por monitorar funcionários, observando os abusos, entrevistar as pessoas e realizar um relatório anual sobre a sua missão. Nada mais benéfico que uma instituição deste tipo, no entanto, desde que esta tenha o poder de sancionar. Agora, ela não tem nenhum porque os funcionários são praticamente inamovíveis. É descoberto este vazio pelos Missi Dominici que conseguiram endireitar as falhas que eles tinham por toda a parte; a realidade era mais forte do que a boa vontade do imperador.[72]
Os capítulos, que constituem a maior parte do trabalho legislativo de Carlos Magno que chegaram até nós, são as directrizes desenvolvidas na corte durante os grandes encontros chamados de plaid. Tomando como modelo as decisões proferidas pelos conselhos, eles formulam ensaios de reformas, tentativas de melhoraria, ou inclinações para inovar em todas as áreas da vida civil ou administração. Assim, Carlos Magno introduziu na corte do palácio, em vez do procedimento formal do direito germânico, o procedimento para a investigação que ele emprestou aos tribunais eclesiásticos.
Para a maior parte no entanto, o conteúdo dos capítulos indicam sobretudo um programa de reformas eficazes e inúmeras decisões que estão longe de estarem todas feitas. Aqueles que estavam, por exemplo, a imposição de cortes vereadoras estavam longe de ter penetrado em todas as partes do Império. As forças da monarquia não foram à altura das suas intenções. O pessoal de que se dispunha era insuficiente e, mais importante, estava em poder aristocracia um limite que não se poderia atravessar ou suprimir[73].
A política religiosa[editar | editar código-fonte]
Carlos Magno tem desempenhado um papel importante no funcionamento da Igreja Católica e no campo da teologia.
Com o zelo e a vigilância do imperador, a Igreja Católica tem uma serenidade, autoridade, influência e um prestígio que não conhecia desde Constantino. Carlos estende a sua solicitude às necessidades materiais do clero, o seu estado mental e ao seu apostolado. Enche de doações os bispados e mosteiros e coloca-os sob a protecção de "advogados" por ele nomeados; torna o dízimo obrigatório em todo o território do império. Tem o cuidado de não sugerir às dioceses que os homens também louváveis pela pureza de sua moral que pela devoção; faz fronteira com segunda evangelização dos eslavos.
Muitos capítulos são dedicados a questões de disciplina eclesiástica.
Alguns textos também são dedicados a questões relacionadas com a doutrina, principalmente:
rejeição da iconoclastia bizantina;
rejeição do adocionismo, doutrina apoiada na época por alguns bispos da Espanha muçulmana, como Elipando, arcebispo de Toledo;
a Cláusula Filioque
Esta é uma modificação do creo, a frase: "O Espírito Santo procede do Pai" (ex Patre) torna-se "O Espírito Santo procede do Pai e do Filho" (ex Patre Filioque). A nova formulação, em curso nas Igrejas da Espanha e da Gália, está na origem de um debate com o Patriarcado de Constantinopla, particularmente agudo nos anos 807-809. Carlos Magno, favorável ao Filioque, pede, de seguida, a três teólogos para estudarem o problema em detalhe:Teodulfo de Orleães, Esmaragdo de São Miguel e Arno de Salzburgo. A nova formulação é ratificado na seguinte reunião de Aquisgranos, em novembro de 809, o que também provoca tensão com Leão III, que a recusa.
Histórias do século XII], como A Peregrinação de Carlos Magno, em que ele inventou uma peregrinação a Santiago de Compostela ou uma viagem a Jerusalém, tornando-o imperador dos cristãos e o mito do chefe dos cruzados.[74] De acordo com a história lendária de seu regresso de Jerusalém chamado Descriptio[75], ele é informado de que o imperador em Constantinopla teria oferecido as relíquias da Paixão (o Santo Sudário, um prego e um pedaço de madeira da cruz verdadeira, a Lança Sagrada e o perizonium) e outras relíquias de importância (panos de Jesus, camisa da Virgem). Reportado em Aquisgrano, eles são mantidos na capela e estão sujeitos a ostentosos estatutários. O neto de Carlos Magno, o imperador Carlos II, o Calvo, depois de uma estadia em Aquisgrano em 876, transfere estas relíquias para a Abadia Real de Saint-Denis, com excepção do Santo Sudário doado à igreja de Saint-Corneille de Compiègne e o perizonium sempre esteve conservado na catedral de Aquisgrano.
A politica económica[editar | editar código-fonte]
Carlos Magno abandona definitivamente a cunhagem de ouro que se tornou muito rara no Ocidente para se poder fornecer os ateliers monetários. Havia mais quando as moedas eram de prata. A homogeneização em 781 por Carlos Magno, é um progresso enorme. O relatório que fixa as moedas permaneceu em uso em toda a Europa continental até à adopção do sistema métrico e na Grã-Bretanha até 1971, a unidade é a libra (até 1971 dividida em vinte shillings, cada um com doze pênis). Só o dinheiro é moeda real: a moeda e a libra são utilizados apenas como moeda de conta, e seria assim até às reformas monetárias do século XII.[76] O denário de prata, a moeda única do Império Carolíngio, é o modelo direto ou indireto de cunhagem ocidental produzido a partir do nono para o décimo terceiro século.[77]
Continuando as reformas iniciadas pelo seu pai, Carlos Magno avançou com um sistema monetário baseado no soldo de ouro - procedimento seguido também pelo rei Offa de Mércia. Instituiu um novo padrão monetário a partir de unidades de medida como a libra e o próprio soldo que eram, até à data, apenas unidades de medida (apenas o dinheiro se manteve como uma das moedas do seu domínio). Note-se que o sistema monetário inglês antes da decimalização tem semelhanças com este: efetivamente, a libra inglesa (pound) valia 20 xelins (analogamente aos sólidos de Carlos Magno) ou 240 pênis (de forma semelhante aos dinheiros instituídos por este imperador).
Carlos Magno aplicou este sistema a uma grande parte do continente europeu, enquanto que o padrão de Offa foi voluntariamente adaptado pela maior parte do território inglês.
O que restou do imposto romano desapareceu no final da época merovíngia ou transformou-se em direitos usurpados pelos grandes. Duas fontes ainda alimentam o tesouro imperial: uma intermitente e imprevisível: os despojos de guerra; outra permanente e regular: as áreas de renda pertencentes à dinastia. Esta última apenas é susceptível de proporcionar as necessidades actuais. Carlos ocupou-se cuidadosamente e o Capitulaire De Villis prova pela minúcias de detalhes, a importância que dava à boa administração da sua propriedade. Mas o que lhe trouxeram, eram prestações em espécie, apenas o suficiente para abastecer o Tribunal. Na verdade, o Império Carolíngio não tem as finanças públicas e basta observar este fato para apreciar como a sua organização é rudimentar quando comparada com a do Império Bizantino e do Califado Abássida com os seus impostos levantados em dinheiro, o seu controle financeiro e a sua centralização fiscal que prevê os salários dos funcionários, obras públicas, a manutenção do exército e da marinha[78].
As transformações na sociedade rural e o feudalismo[editar | editar código-fonte]
A partir de 800, as campanhas militares tornam-se mais raras e o modelo económico franco baseado na guerra deixa de ser viável. É baseado em mão-de-obra alternativamente combatente ou servil onde a agricultura ainda é largamente inspirado no modelo do antigo escravo. Mas estes escravos têm baixa produtividade, não só porque eles não estão interessados nos resultados do seu trabalho, mas porque são caros na época. Em tempos de paz, muitos homens livres que optam por depor as armas para trabalhar a terra, tornam-na mais rentável. Eles confiam a sua segurança a um protector contra as tropas de reabastecimento ou de sua casa. Alguns conseguem manter a sua independência, mas a maioria cede as suas terras ao protector, e tornam-se exploradores de manso, por conta deste último.
Por outro lado, os escravos são emancipados a servos, dependentes de um senhor a quem pagam uma taxa e se tornam mais rentáveis. Este evolução é ainda melhor porque a Igreja condena a escravidão entre os cristãos. A diferença entre camponeses livres e aqueles que não o são atenua-se.
A renascença carolíngia[editar | editar código-fonte]
Os estudiosos da época usam o termo Renovatio para descrever o movimento de renovação no Ocidente que caracteriza a época carolíngia, após dois séculos de declínio.
Desde a queda do Império Romano, em 476, os reis ostrogodos, fortemente romanizados, respeitaram o património cultural latino e cercaram-se por estudiosos como Cassiodoro e Boécio. O isolamento foi curto, já que desde 535, o imperador bizantino Justiniano conseguiu reconquistar a Itália.
O Exarcado de Ravena e os estudiosos, como Cassiodoro, preservaram e enriqueceram o conhecimento que estava armazenado em bibliotecas italianas desde a queda do Império Romano. No século VIII, o exarcado estava sob pressão dos Lombardos, que se beneficiam do fato dos bizantinos, ocupados com a sua luta contra os muçulmanos, não poderem proteger a Itália. Roma ficou por algum tempo livre da tutela bizantina. As tensões entre Roma e Constantinopla pioraram, e a primeira iconoclastia, ou querelas das imagens, assustou muitos artistas bizantinos em Roma, onde a arte se desenvolveu rapidamente. O Exarcado de Ravena caiu nas mãos dos lombardos só em 751 d.C.: eles administraram o norte da Itália, mas não destruíram mais o património cultural do que o terão feito antes deles os Ostrogodos. Portanto, Roma deu todo o seu apoio ao estabelecimento de um império ocidental capaz de defender o papado contra os lombardos e os bizantinos. A partir de 774, Carlos Magno derrotou os lombardos e tomou assim o controlo do norte da Itália e do seu valioso património cultural.
A queda do Reino Visigótico, durante a invasão muçulmana da península Ibérica, fez com que muitos intelectuais e clérigos, como Teodulfo de Orleães ou Bento de Aniane, se juntassem à corte de Pepino, o Breve. Os carolíngios beneficiavam assim do conhecimento vindo do reino que queria ser o herdeiro do Império Romano e da sua cultura conservadora.
Desde o século VI, o monarquismo está altamente desenvolvido na Irlanda e Nortúmbria. Os mosteiros irlandeses retiveram o conhecimento latino e grego, e tornaram-se local de intensa vida intelectual. As invasões conduzidas pelos Vikings fizeram vir das Ilhas Britânicas os eruditos que contribuíram com o estabelecimento da Regra de São Bento por Bento de Aniane e para o crescimento da vida monástica no reino carolíngio.
Este impulso monástico e a facilitação da escrita levou a uma melhor partilha de conhecimentos. Assim, muitos estudiosos de toda a Europa vieram para a corte de Carlos Magno, e aí compartilharam o seu conhecimento, desencadeando o Renascimento Carolíngio. Entre estes, incluem-se:
Alcuíno, que chegou à Inglaterra em 782, e foi um dos principais conselheiros do imperador. Ele participou ativamente da renovação bíblica: A Bíblia de Alcuíno é um dos manuscritos mais antigos do Ocidente. Estabeleceu em Aquisgrano uma escola palatina para formar a futura elite secular e religiosa. Ela colocou em prática um programa de educação abrangente sobre a estrutura das sete artes liberais de Marciano Capela, Cassiodoro, Boécio, transmitido por Beda, o Venerável.
Teodulfo de Orleães, visigótico (originário da actual Espanha), poeta, teólogo, opôs-se a Constantinopla sobre a questão da iconoclastia.
Bento de Aniane que estabeleceu uma reforma religiosa na Aquitânia e unificou a liturgia em 817 d.C.], formou centenas de monges que vão em bando a todo o império espalhando a regra beneditina.
Eginardo, historiador e biógrafo de Carlos Magno (veja abaixo).
Paulo, o Diácono, autor de uma História dos lombardos.
Pedro de Pisa, estudioso italiano.
Carlos Magno desenvolveu o uso da escrita como meio de disseminação do conhecimento (em particular o uso da língua latina) e promoveu a poesia na sua academia palatina[28]. Ele também exortou os bispos a melhorarem a educação do clero e, assistido por Alcuíno, impôs às escolas catedrais e monásticas preocupação com as regras exatas de cantar. Foi a honra do estudo dos livros sagrados e cartas antigas e nas escolas formaram-se uma geração de clérigos que professava pela barbárie latina merovíngia o mesmo desprezo que os humanistas deveriam testemunhar, sete séculos depois, no jargão escolástico. No entanto, o renascimento carolíngio é a antítese da própria Renascença. Entre eles, há um renascimento da atividade intelectual pública. A Renascença puramente laica, retornou ao pensamento antigo de inspiração. O renascimento carolíngio exclusivamente eclesiástico e cristão, voltou-se especialmente aos modelos mais antigos do estilo. Para ele, o estudo justifica-se apenas para fins religiosos e os clérigos carolíngia não escrevem mais do que a glória de Deus[79].
Os Scriptorium prosperaram em mosteiros carolíngios: Saint-Martin de Tours, Corbie, Saint-Riquier, e outros. O sucesso destas oficinas de cópia foi possível graças à invenção de uma nova escrita, a minúscula carolíngia, que ganhava visibilidade porque as palavras são separadas umas das outras, e as letras melhor desenhadas. O Evangeliário de Godescalco, escrito por um franco escriba entre 781 e 783 sob as ordens de Carlos Magno, é o primeiro exemplo datado da escrita minúscula carolíngia.
Na sua corte, ele incentiva o estudo de alguns autores da Antiguidade, e Platão tornou-se conhecido. (Aristóteles não será descoberto até o século XII, no Ocidente). Em 789 d.C., ele promulgou o capítulo Admonitio generalis que ordenou que fosse criada em cada diocese uma escola para crianças leigas.
Sob o seu governo, a arte pré-românica apareceu, e muitas catedrais foram construídas por todo o império. Elas serão praticamente todas reconstruídas durante o renascimento otoniano no século XII. Alguns destes monumentos mostram a nave hexagonal das igrejas orientais. A Capela Palatina de Aquisgrano é um exemplo disso, assim como a igreja de Germigny-des-Prés entre Orleães e Saint-Benoît-sur-Loire.
Reforma na educação[editar | editar código-fonte]
Autógrafo de Carlos Magno.
Ver também: Ciência medieval, Renascença carolíngia
Para unificar e fortalecer o seu império, Carlos Magno decidiu executar uma reforma na educação. O monge inglês Alcuíno elaborou um projeto de desenvolvimento escolar que buscou reviver o saber clássico estabelecendo os programas de estudo a partir das sete artes liberais: o trivium, ou ensino literário (gramática, retórica e dialética) e o quadrivium, ou ensino científico (aritmética, geometria, astronomia e música). A partir do ano 787, foram emanados decretos que recomendavam, em todo o império, a restauração de antigas escolas e a fundação de novas. Institucionalmente, essas novas escolas podiam ser monacais, sob a responsabilidade dos mosteiros; catedrais, junto à sede dos bispados; e palatinas, junto às cortes.
Essa reforma ajudou a preparar o caminho para o Renascimento do século XII. O ensino da dialética (ou lógica) foi fazendo renascer o interesse pela indagação especulativa, dessa semente surgiria mais tarde a filosofia cristã da escolástica; e nos séculos XII e XIII, muitas das escolas que haviam sido fundadas nesse período, especialmente as escolas catedrais, ganharam a forma de universidades medievais.
Pontos particulares[editar | editar código-fonte]
Geneologia de Carlos Magno[editar | editar código-fonte]
Descendência[editar | editar código-fonte]
Esposas[editar | editar código-fonte]
Estátua de Carlos Magno em Frankfurt
De sua primeira esposa, Himiltrude, com quem casou em 766 e cujo casamento nunca foi oficialmente anulado, teve:
Amaudru, uma menina [80]
Pepino, o Corcunda (767-813)
Do seu segundo matrimónio, com a filha de Desidério, rei dos Lombardos, referida como Desiderata ou Desidéria (o nome "Ermengarda" seria uma criação de Alessandro Manzoni), cujo casamento se deu a 768 e foi anulado a 771, não houve descendência.
De sua terceira esposa,Hildegarda de Vintzgau(757 ou 758-783 784), com quem casou em 771 e que morreu a 784, e foi filha de Geroldo I de Vintzgau e de Ema da Alemanha[81], teve:
Carlos, o Jovem (c. 772 – Baviera, 4 de dezembro de 811), que foi designado rei dos Francos, casou com Juliana;
Adelaide (?-774)
Rotruda (ou Hruodrud) (775- 6 de junho de 810), manteve relações com Rorgão I do Maine e dele teve dois filhos e uma filha. Rotrude terá sido monja no fim da sua vida. Noiva desde durante 6 anos de Constantino VI, filho da imperatriz Irene.
Pepino de Itália (777-810), rei de Itália desde 781, teve várias amantes, cujos nomes não são totalmente conhecidos, e cuja ascendência não é igualmente totalmente conhecida. Entre as suas relações é tido como tendo casado com Berta de Toulouse, filha de Guilherme I de Toulouse[82][83], conde de Toulouse e de uma das suas esposas, possivelmente de Guiburga de Hornbach.
Luís I o Piedoso (778-840), gémeo de Lotário, rei da Aquitânia desde 781 e imperador e rei dos Francos desde 814]],
Lotário (778-779 ou 780), morreu jovem, foi irmão gémeo de Luís I o Piedoso,
Berta de França (779-823), foi casada com Angilberto de Ponthieu.
Gisela (781-808)
Hildegarda (782-783)
De sua quarta esposa, Fastrada da Francónia, com quem casou em 784, e que viria a falecer em 794, teve:
Teodrada (n.784), abadessa de Argenteuil;
Hiltruda (n.787), abadessa em Faremoutiers.
Da sua última esposa,Lutgarda, com que casou em 794, e que viria a falecer em 800, não houve descendência.
Concubinas e filhos varões[editar | editar código-fonte]
A sua primeira concubina conhecida foi Gersuinda. Dela, teve uma filha:
Adaltruda (n.774)
Da sua segunda conhecida concubina, Madelgarda:
Rodaida (775-810), abadessa de Faremoutiers
Da sua terceira concubina, de nome desconhecido:
Rotaida (784-814)
Da sua quarta concubina, Amaltrud de Viena:
Alpaida (n.794)
Da sua quinta conhecida concubina, Regina:
Drogo (801-855), bispo de Metz desde 823
Hugo (802-844), grão-chanceler do império
Da sua quinta conhecida concubina, Adelinda:
Teodorico (n.807)
A distinção entre esposas e concubinas legítimas e oficiais é às vezes difícil de se estabelecer. Os historiadores identificam cinco ou seis esposas, ou "nove esposas ou concubinas, outros amores menos relevantes e menos duráveis, uma multidão de bastardos, a licenciosidade das suas filhas, que ele parece ter amado também." [84] Não se pode dizer que ele praticava a poligamia, proibida pelos Francos, mas sobretudo uma monogamia serial e casamento para forjar alianças, especialmente com a aristocracia Franca do Oriente, ou melhor, para manter alguns aristocráticos da Francónia que se ressentiam da usurpação de Pepino, o Breve olhos - nos - olhos de Childérico III.[85] Eginardo menciona rumores de incesto de Carlos Magno com as suas filhas, ao dizer que ele "não queria dar a ninguém em casamento, nem a um homem da sua casa, nem a um estrangeiro, mas ele as manteve todas em casa, com ele, até que 'na sua morte, dizia que não poderia viver sem a sua companhia. Mas porque, aquele que estava preenchido também teve de suportar a malícia de um destino contrário: no entanto, não o demonstra e fez como se sobre eles, nenhuma suspeita de incesto nunca tinha visto o dia, como se nenhum rumor se tenha espalhado".[86] Este rumor de incesto é um mito nascido do fato de Carlos Magno não querer casar oficialmente as suas filhas com aristocratas ou seus vassalos que poderiam diluir o seu legado ou adquirir também poder[87]. Pelo contrário, ele permitiu que várias delas forjarem uniões ilegítimas mas quase oficiais e os amantes delas podiam até ser funcionários da Corte, como Angilberto que viveu dois anos com Berta e com quem teve dois filhos. Carlos Magno também o fez casar-se secretamente com a sua filha.[88]
Os nomes de Carlos Magno[editar | editar código-fonte]
O verdadeiro nome de Carlos Magno é Karl, transcrito em latim Carolus (latim clássico) ou Karolus (uso de chancelaria franca , moeda, etc.).
Este nome de Karl vem da palavra, em alto alemão antigo, Karal, que significa "homem" (do sexo masculino).
Carlos Magno é a transcrição francesa de Carolus Magnus ("Carlos, o Grande"). Desde a época de Carlos Magno, encontra-se em alguns textos Karolus seguido de magnus, mas este último em posição de adjetivo em relação a um outro nome: Karolus magnus rex Francorum ("Carlos, o grande rei dos francos"), Karolus Magnus imperator ("Carlos, o grande imperador"). O uso de Carolus Magnus mais curto é uma denominação literária, cujo primeiro exemplo é em um texto Nithard (cerca de 840), várias décadas depois da morte do requerente. Esse epíteto está gradualmente generalizado nos documentos da Chancelaria dos Breves Apostólicos[89].
Na Canção de Rolando[90], em francês antigo, o imperador é nomeado de diferentes formas: Carles (verso 1) ou Charles (28, verso 370), Carles li magnes (68, verso 841) ou Charles li Magnes (93, verso 1195), tradução de Carolus Magnus, mas também Carlemagnes (33, verso 430) ou Charlemaignes (138 verso 1842). O adjetivo grant é comum na Canção de Rolando, mas não é usado para nomear o imperador. Depois disso, é a forma contraída que surgiu: a fórmula "Charles, o Grande" é rara em uso corrente, ao contrário da alemã (Karl der Große).
Quanto ao nome de seu irmão Carlomano, é uma transcrição Francesa de Karlmann em que Mann também significa "homem"; o "-mano" de Carlomano, portanto, não tem nenhuma ligação com o "-magne" de Carlos Magno.
Além disso, assim como em alemão e nas outras línguas, "César" (Kaiser) tornou-se sinónimo de imperador, o nome de Carlos Magno, sob a forma de Karl ou Karolus, levou em Húngaro (király) e nas línguas eslavas ao significado do rei: король ("korol") em russo, král em checo, Król em poloco, kralj em croata, etc.
O monograma de Carlos Magno[editar | editar código-fonte]
Assinatura de Carlos Magno contendo seu monograma
Carlos magno aprendeu a escrever ou será que nunca conseguiu dominar esta técnica difícil? Os historiadores Bruno Dumézil e Martin Gravel consideram-no como iletrado mas não analfabeto: os diplomas reais emitidos pelo imperador não contêm qualquer assinatura manuscrita Eginardo também sugere que ele nunca soube escrever (apresentando a vida do Imperador desde dia em que parece mais lisonjeiro, o autor da primeira biografia de Carlos Magno certamente não hesitaria em mencioná-lo), apenas dizendo que ele estava tentando ler[91]. Para permitir assinar algo mais do que sinal que não seja uma simples cruz, Eginardo ensina-lhe a desenhar este sinal simples, um monograma, que contém todas as letras do seu nome em latim Karolus. Consoantes são sobre os braços da cruz, as vogais contidas no losango central (A em cima,O é o losango, U é a metade inferior). No entanto, ainda se debate sobre se Carlos Magno é realmente o autor de seu monograma, apenas a parte central seria escrito por ele mesmo, as outras letras são obra de um secretário[92].
No entanto, Carlos Magno aprendeu a ler mais tarde. A sua língua materna é a franca; ele é fluente em latim e grego.[92]
Ver também[editar | editar código-fonte]
Catedral de Aquisgrano, onde se inclui a capela palatina mandada erigir por Carlos Magno, expoente da arquitetura carolíngia.
Joiosa, a espada lendária de Carlos Magno.
Matéria de França, conjunto de obras literárias medievais inspiradas na figura de Carlos Magno e seu reino.
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Ir para cima ↑ « À la recherche de Charlemagne », documentaire de Perrine Kervran,France Culture, 30 avril 2013
↑ Ir para: a b « À la recherche de Charlemagne », documentaire de Perrine Kervran, France Culture, 30 avril 2013
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Carolus 'Magnus', Rex Francorum e Imperator Romanorum

Latín: Karolus 'Magnus', Rex Francorum e Imperator Romanorum , francés: Carolus, Magnus , portugués: Carlos Magno, Rex Francorum e Imperator Romanorum , estonio: Karl Suur, Rex Francorum e Imperator Romanorum , finlandés: Kaarle Suuri, Rex Francorum e Imperator Romanorum
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Carlomagno
De Wikipedia, la enciclopedia libre
| Carlomagno | |||
|---|---|---|---|
| Rey de los francos y de los lombardos Imperator Romanum gubernans Imperium | |||
|
Denario imperial en plata de Carlomagno, inspirado en los modelos romanos. Esta representación es lo más próximo a un retrato contemporáneo del Imperator.
| |||
| Imperator Romanum gubernans Imperium | |||
| 25 de diciembre de 800-28 de enero de 814 | |||
| Sucesor | Ludovico Pío | ||
| Rey de los francos junto a Carlos el Joven (800-811) | |||
| 9 de octubre de 768-28 de enero de 814 | |||
| Predecesor | Pipino III | ||
| Sucesor | Ludovico Pío | ||
| |||
| Información personal | |||
| Coronación | 14 de diciembre de 800 por el papa León III en Roma | ||
| Nacimiento | 2 de abril de 742, 747 o 748 ¿Herstal? | ||
| Fallecimiento | 28 de enero de 814 Aquisgrán | ||
| Entierro | Catedral de Aquisgrán | ||
| Religión | Catolicismo | ||
| Predecesor | Pipino III | ||
| Sucesor | Ludovico Pío | ||
| Familia | |||
| Dinastía | Carolingia | ||
| Padre | Pipino III | ||
| Madre | Bertrada de Laon | ||
| Consorte | Familia | ||
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Carlomagno (en latín, Carolus [Karolus] Magnus; ¿Herstal?, 2 de abril de 742, 747 o 748-Aquisgrán, 28 de enero de 814) fue rey de los francos desde 768, rey nominal de los lombardos desde 774 e Imperator Romanum gubernans Imperium[Nota 1]desde 800 hasta su muerte[1].
Hijo del rey Pipino el Breve y de Bertrada de Laon, sucedió a su padre y virreinó con su hermano, Carlomán I. Aunque las relaciones entre ambos se tornaron tensas, la repentina muerte de Carlomán evitó que estallara la guerra. Reforzó las amistosas relaciones que su padre había mantenido con el papado y se convirtió en su protector tras derrotar a los lombardos en Italia. Combatió a los musulmanes que amenazaban sus posesiones en la península ibérica y trató de apoderarse del territorio, aunque tuvo que batirse en retirada y a causa de un ataque de los vascones, perdió a toda su retaguardia, así como a Roldán, en el desfiladero de Roncesvalles.[2] Luchó contra los pueblos eslavos. Tras una larga campaña logró someter a los sajones, obligándolos a convertirse al cristianismo e integrándolos en su reino; de este modo allanó el camino para el establecimiento del Sacro Imperio Romano Germánico bajo la dinastía sajona.
Expandió los distintos reinos francos hasta transformarlos en un imperio, al que incorporó gran parte de Europa Occidental y Central. Conquistó Italia y fue coronado Imperator Augustus por el papa León III el 25 de diciembre de 800 en Roma, gracias a la oportunidad ofrecida por la deposición de Constantino VI y lo que se consideraba la vacancia del trono imperial, ocupado por una mujer, Irene. Estos hechos provocaron la indignación de la corte imperial, que se negó a reconocer su pretendido título. Tras unos frustrados planes de boda entre Carlomagno e Irene, estalló la guerra. Finalmente, en 812 Miguel I Rangabé reconoció a Carlomagno como emperador (aunque no «emperador de los romanos»).
Comúnmente se ha asociado su reinado con el Renacimiento carolingio, un resurgimiento de la cultura y las artes latinas a través del Imperio carolingio, dirigido por la Iglesia católica[cita requerida], que estableció una identidad europea común. Por medio de sus conquistas en el extranjero y sus reformas internas, Carlomagno sentó las bases de lo que sería Europa Occidental en la Edad Media. Hoy día, Carlomagno es considerado no sólo como el fundador de las monarquías francesa y alemana, que le nombran como Carlos I, sino también como «el padre de Europa». Pierre Riché escribe:
[...] Disfrutó de un destino excepcional, y por la dirección de su reinado, por sus conquistas, legislación y legendaria estatura, marcó profundamente la historia de Europa Occidental.[3]
Contexto histórico
A finales del siglo V se produjo la cristianización de los francos, mediante la conversión de su rey merovingio Clodoveo I. El reino merovingio se convirtió, a partir de la batalla de Vouillé en 507, en el más poderoso entre los reinos resultantes de la caída del Imperio romano de Occidente. Sin embargo, el declive de la dinastía se hizo evidente tras la batalla de Tertry (687) y ningún soberano trató ya de remediar la situación.[4] Finalmente, todos los poderes gubernamentales se ejercerían a través de los oficiales mayores o del Maior domus, es decir, del mayordomo.
Pipino de Heristal, mayordomo de Austrasia, terminó con el conflicto existente entre los diversos reyes francos y sus mayordomos con su victoria en Tertry, tras la que se convirtió en único gobernante de todo el reino franco. Era nieto de dos de las más importantes figuras del reino austrasiano: Arnulfo de Metz y Pipino de Landen. A su muerte, le sucedió su hijo ilegítimo Carlos Martel, «el Martillo», quién jamás adoptó el título de rey. Martel fue sucedido por sus dos hijos: Carlomán y Pipino «el Breve», quien sería el padre de Carlomagno. A fin de frenar el separatismo presente en la periferia del reino, los hermanos emplazaron en el trono a Childerico III, último rey merovingio.
Tras la renuncia de Carlomán a su cargo, Pipino depuso a Childerico con la aprobación del pontífice Zacarías, quien lo eligió y ungió rey de los francos en 751. En 754, Esteban II volvería a ungirle a él y a sus hijos, herederos de un reino que abarcaba la mayor parte de Europa Occidental y Central. Así fue como la dinastía merovingia fue sustituida por la carolingia. El término «carolingio» (en latín medieval karolingi, forma alterada del alto alemán antiguo *karling, kerling, significando ‘descendiente de Carlos’, cf. alto alemán medio kerlinc)[5] deriva del nombre latinizado de Carlos Martel: Carolus.[6]
Bajo esta nueva dinastía el reino franco se extendió sobre la mayor parte de los territorios de Europa Occidental. La división administrativa efectiva durante esta época se corresponde con los modernos países de Francia y Alemania.[7] Francia, geográficamente situada en el centro de Europa, dio origen a una evolución en el terreno religioso, político y artístico que dejó su huella en toda Europa Occidental.
Fecha y lugar de nacimiento
Generalmente se ha fijado su fecha de nacimiento en el año 743. Sin embargo, diversos factores han llevado a los expertos a reconsiderar esta fecha, ya que su nacimiento se calculó a partir del año de su muerte y en los Annales Petarienses figura otra fecha, el 1 de abril de 747, que coincidía con la Pascua. Esta coincidencia resultaba tan sospechosa que ha sido cuestionada en numerosas ocasiones. Los historiadores modernos defienden que esta fecha constituye una farsa destinada a encumbrar la figura del emperador, y sugieren que este nació un año más tarde, en 748.
Actualmente es imposible conocer con certeza la fecha de su nacimiento. Las hipótesis más factibles son las del 1 de abril de 747, el 15 de abril de ese mismo año o el 1 de abril de 748. La mayoría de hipótesis sostienen que Carlomagno nació en Herstal, ciudad natal de su padre, de donde eran oriundas las dinastías carolingia y merovingia, y ubicada en las inmediaciones de la actual ciudad belga de Lieja. Cuando tenía siete años, fue a vivir con su padre a Jupille, por lo que en casi todos los libros de historia dicha ciudad aparece como uno de sus posibles lugares de nacimiento. También se han barajado como tal otras ciudades, entre ellas Ingelheim, Prüm, Düren, Gauting y Aquisgrán.
Idioma
Su idioma materno ha sido objeto de intenso debate. Se presume que su madre hablaba un dialecto germánico común entre los francos de la época; no obstante, los lingüistas difieren en cuanto a la identidad y evolución del idioma. Incluso se ha llegado a afirmar que en el momento de su nacimiento (742/747) el franco antiguo ya se encontraba extinto. Se ha reconstruido la estructura sintáctica y ortográfica del franco antiguo a través de su evolución: el bajo fráncico, que influyó en el francés antiguo y posteriormente dio origen al neerlandés antiguo. El escaso conocimiento del franco antiguo que tienen los lingüistas corresponde a frases y palabras presentes en los códices de leyes de las principales tribus francas,[Nota 2] escritos en un latín que integra elementos germánicos.[8]
Su lugar de nacimiento no ha ayudado para determinar su idioma materno. Muchos historiadores han defendido que, al igual que su padre, nació en los alrededores de Lieja; otros afirman que en Aquisgrán, ciudad ubicada a 50 km de la anterior. La cuestión se complica a consecuencia de que esta zona comprende una gran diversidad lingüística. Si se toma la Lieja del año 750, nos encontramos con una región en la que se habla bajo fráncico en el norte y el noroeste, galo-romance en el sur y suroeste, y dialectos del alto alemán en el este. Si se excluye el galo-romance, Carlos habría hablado el antiguo bajo fráncico o un dialecto alto alemán, probablemente con gran influencia franca.
Además de su lengua materna, hablaba latín «con fluidez semejante a la de su propio idioma», además de comprender un poco de griego:
Grecam vero melius intellegere quam pronuntiare poterat.Comprendía griego mejor que lo hablaba.Eginardo, Vita Karoli Magni, 25.
Nombres de Carlomagno
Estatua de Carlomagno en el Palacio de Versalles
A consecuencia del número de idiomas hablados dentro del Imperio, y su expansión a escala europea, el nombre de Carlomagno ha sido preservado bajo abundantes formas en un gran número de diferentes lenguas. Su propio idioma ya no existe en sí, sino que evolucionó hasta convertirse en el idioma fráncico.
«Carlos», su nombre de nacimiento, deriva del de su abuelo, Carlos Martel; este nombre proviene a su vez de Karl, lexema germánico que significa ‘hombre’ u ‘hombre libre’,[9] y que está relacionado con el Churl inglés. Los nombres latinos Carolus o Karolus constituyen las primeras formas existentes de su nombre.
En diversos dialectos eslavos, el término «rey» corresponde a una derivación de su nombre eslavizado.
- en danés, noruego y sueco: Karl den Store;
- en neerlandés: Karel de Grote;
- en alemán: Karl der Große;
- en luxemburgués: Karel de Groussen;
- en frisón occidental: Karel de Grutte.
El nombre germánico fue latinizado —Carolus Magnus— y preservado en las modernas lenguas romances:
- en español y en gallego: Carlomagno;
- en catalán: Carlemany;
- en aragonés: Carlemanyo;
- en francés: Charlemagne y Charles le Grand, derivación del francés antiguo Charles le Magne;
- en italiano: Carlo Magno y Carlomagno;
- en portugués: Carlos Magno;
- en valón: Tchårlumagne y Tchåle li Grand.
- en croata: Karlo Veliki;
- en checo: Karel Veliký;
- en polaco: Karol Wielki;
- en eslovaco: Karol Veľký;
- en esloveno: Karel Veliki.
Aspecto físico
Aunque no existe descripción alguna de Carlomagno contemporánea al monarca, su biógrafo Eginardo ofrece una detallada visión de su aspecto físico en su obra Vita Karoli Magni. En el artículo 22 del escrito afirma:
Corpore fuit amplo atque robusto, statura eminenti, quae tamen iustam non excederet - nam septem suorum pedum proceritatem eius constat habuisse mensuram -, apice capitis rotundo, oculis praegrandibus ac vegetis, naso paululum mediocritatem excedenti, canitie pulchra, facie laeta et hilari. Unde formae auctoritas ac dignitas tam stanti quam sedenti plurima adquirebatur; quamquam cervix obesa et brevior venterque proiectior videretur, tamen haec ceterorum membrorum celabat aequalitas. Incessu firmo totaque corporis habitudine virili; voce clara quidem, sed quae minus corporis formae conveniret.Fue de cuerpo ancho y robusto, de estatura eminente, sin exceder la justa medida, pues alcanzaba siete pies suyos; de cabeza redonda en la parte superior, ojos muy grandes y brillantes, nariz poco más que mediana, cabellera blanca y hermosa, rostro alegre y regocijado; de suerte que estando de pie como sentado realzaba su figura con gran autoridad y dignidad. Y aunque la cerviz era obesa y breve y el vientre algún tanto prominente, desaparecía todo ello ante la armonía y proporción de los demás miembros. Su andar era firme, y toda la actitud de su cuerpo, varonil; su voz tan clara, que no respondía a la figura corporal.
El emperador carolingio era conocido entre sus coetáneos por ser un hombre rubio, alto, corpulento y de cuello excesivamente grueso. En su época, la tradicional técnica pictórica romana realista se había visto eclipsada por la costumbre de dibujar los retratos de personalidades rodeados de elementos icónicos. En su condición de monarca ideal debía ser representado de manera correspondiente. A su ascenso al trono se le presenta como la encarnación de Dios en la Tierra; los cuadros de esta época contienen un número considerable de iconos vinculantes a Cristo. Los retratos modernos[Nota 3] muestran a un hombre de recia complexión y larga melena rubia, a consecuencia de un error en la interpretación del escrito de su biógrafo; se ha traducido «canitie pulchra» o «hermoso cabello blanco» como melena rubia o dorada.
Vestimenta
Carlomagno vestía la tradicional, discreta y ordinaria[Nota 4] vestimenta de la nación franca. Eginardo la describe así:
Parte del tesoro de Aquisgrán
Vestitu patrio, id est Francico, utebatur. Ad corpus camisam lineam, et feminalibus lineis induebatur, deinde tunicam, quae limbo serico ambiebatur, et tibialia; tum fasciolis crura et pedes calciamentis constringebat et ex pellibus lutrinis vel murinis thorace confecto umeros ac pectus hieme muniebat.Vestía a la manera de los francos: camisa de lino y calzones de lo mismo, túnica con pasamanos de seda; envolvía sus piernas con polainas de tiras, y en invierno protegía hombros y pecho con pieles de foca y de marta.Eginardo. Vita Karoli Magni, XXIII.
Gustaba de llevar una capa azulada, así como una espada, normalmente acabada en una empuñadura dorada o plateada. En los banquetes o recepciones de embajadores portaba imponentes tizonas enjoyadas. No obstante:
Peregrina vero indumenta, quamvis pulcherrima, respuebat nec umquam eis indui patiebatur, excepto quod Romae semel Hadriano pontifice petente et iterum Leone successore eius supplicante longa tunica et clamide amictus, calceis quoque Romano more formatis induebatur.Los trajes extraños, por hermosos que fuesen, los desechaba, de modo que sólo una vez, a petición del pontífice Adriano, y otra a ruegos del papa León, se vistió la larga túnica y la clámide y usó el calzado a la usanza romana.Eginardo. Vita Karoli Magni, XXIII.
Ascenso al poder
Primeros años de vida
Carlomagno fue el primogénito de Pipino III (714-24 de septiembre de 768, rey desde 751) y su esposa Bertrada de Laon (720-12 de julio de 783), hija de Cariberto de Laon y Gisela de Laon.[Nota 5] Entre sus hermanos más jóvenes, los registros solo refieren a Carlomán, Gisela y a un niño llamado Pipino que falleció a corta edad. En ocasiones se ha afirmado que la semilegendaria Redburga, esposa del rey Egberto de , fue hermana de Carlomagno —o cuñada o sobrina—, y las leyendas lo señalan como tío materno de Roldán a través de una dama llamada Bertha.
La mayor parte de lo que se conoce acerca de su vida procede de los escritos de su biógrafo Eginardo, quien escribió la Vita Karoli Magni (o Vita Caroli Magni, ‘Vida de Carlomagno’). Eginardo afirma sobre los primeros años de vida de Carlos:
De cuius nativitate atque infantia vel etiam pueritia quia neque scriptis usquam aliquid declaratum est, neque quisquam modo superesse invenitur, qui horum se dicat habere notitiam, scribere ineptum iudicans ad actus et mores ceterasque vitae illius partes explicandas ac demonstrandas, omissis incognitis, transire disposui; ita tamen, ut, primo res gestas et domi et foris, deinde mores et studia eius, tum de regni administratione et fine narrando, nihil de his quae cognitu vel digna vel necessaria sunt praetermittam.Sería disparatado, creo yo, escribir una sola palabra respecto al nacimiento y la infancia de Carlos, o incluso sobre sus primeros años, ya que nunca se escribió nada al respecto y no existe nadie con vida que pueda dar información de ello. En consecuencia, decidí pasar esto por alto y dedicarme de inmediato a su persona, sus obras y otros hechos de su vida que merecen ser relatados y divulgados, y me referiré primero a sus acciones locales y en el extranjero, luego sobre su persona y actividades, y por último acerca de su gobierno y muerte, sin omitir nada que merezca o sea necesario conocer.Eginardo. Vita Karoli Magni, IV.
Tras la muerte de Pipino, y continuando con la tradición, se dividió el reino de los francos entre Carlomagno y Carlomán. Carlos tomó las regiones exteriores del reino, las cuales bordeaban el mar, es decir, Neustria, el oeste de Aquitania y el norte de Austrasia; mientras que a Carlomán le correspondió la región interior: el sur de Austrasia, Septimania, el este de Aquitania, Borgoña, Provenza y Suabia, territorios que limitaban con Italia.
Reinado compartido
Emperador Carlomagno por Albrecht Dürer
El 9 de octubre, inmediatamente después de celebrarse el funeral de su padre, ambos jóvenes se marcharon de Saint-Denis a fin de ser coronados reyes por los nobles y ungidos por los obispos. La investidura de Carlomagno tuvo lugar en Noyon, mientras que la de Carlomán lo fue en Soissons.
El primer acontecimiento importante producido durante el reinado conjunto de los hermanos fue el levantamiento de los aquitanos y gascones, en 769, en el territorio dividido entre ambos reyes. Años atrás, Pipino había sofocado la revuelta de Gaifier, duque de Aquitania. Ahora, un hombre llamado Hunaldo —que según parece no se trata del duque Hunaldo— guió a los aquitanos hacia el norte, hasta Angulema. Carlomagno se reunió con Carlomán, pero este se negó a participar y regresó a Burgundia. Carlomagno se dispuso para la guerra y lideró un ejército hacia Burdeos, estableciendo un campamento en Fronsac. Hunaldo se vio obligado a huir a la corte de Lupo II, duque de Gascuña. Lupo, temeroso de Carlomagno, entregó a Hunaldo a cambio de la paz y este fue desterrado a un monasterio. Finalmente, los francos sometieron Aquitania por completo.
Los hermanos mantuvieron una relación tibia gracias a la mediación de su madre, Bertrada, pero en 770 Carlomagno firmó un tratado con el duque Tasilón III de Baviera y se casó con una princesa lombarda, a quien actualmente se conoce como Desiderata, hija del rey Desiderio, con el fin de rodear a Carlomán con sus propios aliados. Pese a la oposición inicial del papa Esteban III a su matrimonio con la princesa lombarda, pronto este tendría pocos motivos para temer una alianza entre francos y lombardos.
Apenas un año después de su matrimonio, Carlomagno repudió a Desiderata y al poco tiempo volvió a casarse con una sueva de 13 años llamada Hildegarda de Anglachgau. La repudiada Desiderata regresó a la corte de su padre en Pavía. Encendida su furia, Desiderio se hubiese aliado gustosamente con Carlomán para derrotar a Carlos, pero Carlomán murió el 5 de diciembre de 771, antes de que estallara el conflicto. La esposa de Carlomán, Gerberga, huyó junto con sus hijos a la corte de Desiderio en busca de protección.
Campaña en Italia
La conquista de Lombardía
El año del nombramiento como papa de Adriano I (772), este demandó que le fuera reintegrado el control sobre ciertas ciudades constituyentes del antiguo Exarcado de Rávena, a cambio de un acuerdo respecto de la sucesión de Desiderio. No obstante, Desiderio tomó algunas ciudades papales e invadió Pentápolis en su camino hacia Roma. En otoño, Adriano envió una delegación ante Carlomagno, solicitándole que cumpliera las políticas de su padre, Pipino. A su vez, Desiderio envió su propia embajada negando lo que le imputaba el papa. Ambas delegaciones se reunieron en Thionville, donde el monarca de los francos manifestó su apoyo al papado. A las demandas de Adriano se unieron las de su aliado; viéndose en esta tesitura, el duque toscano juró que jamás cedería. Carlomagno y su tío Bernardo cruzaron los Alpes en 773 y persiguieron a los lombardos hasta sitiarlos en Pavía. Eventualmente Carlos abandonó el sitio a fin de hacer frente al hijo de Desiderio, Adelgis, quien estaba levantando un ejército en Verona. Los francos persiguieron al joven príncipe hasta el litoral adriático. Desde allí Adelgis huyó hacia Constantinopla a fin de solicitar la ayuda de Constantino V Kopronymos, por entonces en guerra con Bulgaria.
El rey franco Carlomagno era un católico devoto que mantuvo una estrecha relación con el papado durante toda su vida. En 772, cuando el papa Adriano I fue amenazado por los invasores, el rey se dirigió velozmente a Roma para proporcionar su ayuda. En esta imagen puede verse al papa solicitando la asistencia de Carlomagno durante un encuentro cerca de Roma.
El asedio de Pavía se prolongó hasta la primavera de 774, época en que Carlomagno hizo una visita al papa en Roma (2 de abril); allí confirmó las cesiones de territorios que su padre había estipulado en su testamento.[Nota 6] Ciertas crónicas posteriores, de dudosa veracidad, afirman que amplió los mismos. Después de que Adriano le concediera el título de patricio regresó a Pavía, donde los lombardos se hallaban al borde de la derrota.
A cambio de sus vidas, los lombardos se rindieron y abrieron las puertas de la ciudad a comienzos de la estación estival. Se envió a Desiderio a la abadía de Corbie; su hijo Adelgis murió en Constantinopla como un patricio. Tras haberse ceñido la Corona Férrea, los señores lombardos —a excepción de Arechis II, quien proclamó la independencia de los territorios bajo su control— rindieron un homenaje al nuevo monarca en Pavía. Al convertirse en nuevo rey de Lombardía, Carlomagno se convertía también en el señor más poderoso de Italia. A su marcha dejó una poderosa guarnición en Pavía, a la que envió tropas de refuerzo cada año.
A pesar de su victoria, los territorios italianos continuaban inestables: en 776, se rebelaron los duques Rodgaudo de Friuli e Hildeprando de Spoleto. Carlomagno se trasladó apresuradamente desde Sajonia a Italia a fin de combatir a los sediciosos. Se enfrentó a Rodgaudo en una batalla que derivó en una victoria aplastante sobre los rebeldes y la muerte del propio duque. Viéndose derrotado, Hildeprando accedió a firmar un tratado de paz. Su co-conspirador, Arechis, no fue sometido y Adelgis, su candidato al trono, jamás abandonó Bizancio. El norte de Italia había sido pacificado.
Italia meridional
En 787 Carlomagno dirigió su atención hacia Benevento, donde Arechis reinaba de forma independiente; tras asediar Salerno, el duque ofreció su vasallaje. Sin embargo, cuando murió en 792, Benevento volvió a proclamar su independencia bajo la égida de su hijo, Grimoaldo III. Aunque los ejércitos de Carlos y sus hijos le atacaron en repetidas ocasiones, al no regresar el monarca franco al Mezzogiorno, estos territorios no serían nunca sometidos.
Carlos y sus hijos
Carlomagno y sus alumnos
Como era tradición entre los monarcas y mayordomos del pasado, Carlos comenzó a nombrar a sus hijos para que ocuparan los cargos de mayor importancia del reino durante el primer periodo de paz por el que atravesó su gobierno (780-782). Habiendo sido ungidos por el papado, hizo reyes a sus dos hijos más jóvenes (781): Carlomán, el mayor de ellos, tomó la Corona Férrea[Nota 7] y el nombre de «Pipino» al ser nombrado rey de Italia; y el más joven, Luis, fue nombrado rey de Aquitania. Carlos ordenó que ambos se criaran en el conocimiento de las costumbres de sus reinos, al tiempo que les otorgaba a sus regentes cierto control sobre dichos territorios. No obstante, aunque los dos jóvenes tuvieran la esperanza de heredar el reino algún día, el poder estuvo siempre en manos de su padre. Además, no toleró insubordinación alguna de parte de sus hijos: en 792 desterró a Pipino el Jorobado a consecuencia de una revuelta de la que era partícipe.
Al alcanzar la mayoría de edad, los hijos del monarca combatieron en su nombre durante el transcurso de numerosos conflictos. A Carlos le preocupaban especialmente los bretones, con los que compartía frontera y quienes se rebelaron contra él en al menos dos ocasiones (aunque fueron fácilmente subyugados), y también luchó intensamente contra los sajones. En 805-806 se internó en el Böhmerwald, la moderna Bohemia, a fin de hacer frente a los eslavos que habitaban dichos territorios, los modernos checos. Tras una rápida campaña, les sometió hasta el punto de obligarles a rendirle homenaje. Tras ello los francos devastaron el Valle del Elba e impusieron tributo en la zona. Pipino se enfrentó a los ávaros, así como a los beneventani y a los eslavos del norte. Cuando finalmente surgió un conflicto con el Imperio bizantino a consecuencia de su coronación imperial y de la rebelión de Venecia, la organización política interna era inmejorable. Luis se posicionó al frente de la Marca Hispánica y, al menos en una ocasión, se dirigió al sur de Italia a fin de enfrentarse al duque de Benevento. El hijo de Carlos tomaría Barcelona tras un importante asedio en 797.
La actitud de Carlomagno hacia sus hijas ha sido motivo de gran controversia; las mantuvo en casa junto a él y se negó a permitir que contrajeran matrimonio —probablemente a fin de evitar el establecimiento de subramas familiares que pudieran rebelarse contra la principal, como fue el caso de Tasilón III de Baviera— aunque les permitió mantener relaciones extramaritales, llegando incluso a honrar a sus concubinos, y guardó gran aprecio por los hijos bastardos que engendraban. Al parecer nunca creyó las historias que circulaban en torno a su salvajismo. Tras la muerte de Carlomagno, su hijo Luis las desterró de la corte y las envió a conventos que su padre había elegido. Una de ellas, Bertha, mantuvo una relación, o quizá un matrimonio, con Angilberto, miembro de la corte de su padre.
Campaña en la península ibérica
La campaña de Roncesvalles
Según el historiador musulmán Ibn al-Athir, la Dieta de Paderborn recibió en 777 a los representantes de los gobernantes musulmanes de Zaragoza, Gerona, Barcelona y Huesca, quienes habían acudido allí debido a que sus señores habían sido arrinconados en la península ibérica por Abderramán I, el emir de Córdoba. Estos gobernantes musulmanes o sarracenos ofrecieron homenaje al gran rey de los francos a cambio de su ayuda militar. Carlomagno, al ver la oportunidad de extender tanto la cristiandad como su propio poder y creyendo que los sajones eran una nación subyugada, acordó dirigirse a la península ibérica.
En 778, dirigió el ejército de Neustria a través de los Pirineos Occidentales, mientras que los austrasios, lombardos y burgundios cruzaban los Pirineos Orientales. Los ejércitos se reunieron en Zaragoza y recibieron el homenaje de Sulayman al-Arabí y Kasmin ibn Yusuf, los gobernantes extranjeros. Sin embargo, Zaragoza no cayó con la rapidez que Carlomagno pensaba; incluso se encontró ante la batalla más difícil que afrontara en toda su carrera y, temiendo una derrota, decidió retirarse y regresar a casa. Carlomagno no podía confiar en los musulmanes ni en los vascones, a quienes se había enfrentado durante su conquista de Pamplona, y estaba abandonando la península por el Paso de Roncesvalles cuando ocurrió uno de los acontecimientos más famosos de todo su reinado: Los vascones cayeron sobre su retaguardia y carros de carga, destruyéndolos. La batalla de Roncesvalles arrojó varios famosos muertos, entre los que se encontraban el senescal Eggihard, el conde del palacio Anselmo y el prefecto de la Marca de Bretaña, Roldán, posterior inspiración del Cantar de Roldán (Chanson de Roland), el famoso cantar de gesta francés.
La guerra contra al-Ándalus
La conquista de Italia hizo que Carlomagno entrase en contacto con los sarracenos que, en esa época, controlaban el Mediterráneo y ocupaban arduamente a su hijo Pipino. Carlomagno conquistó Córcega y Cerdeña en fechas desconocidas, y las islas Baleares en 799. Dichas islas eran blancos frecuentes de ataques por parte de piratas sarracenos, mas el conde de Génova y Toscana (Bonifacio) los mantuvo a raya mediante el envío de una numerosa flota cuya operatividad se prolongó hasta el fin del reinado de Carlomagno. El rey llegó a tener contacto con la corte del califa en Bagdad: en 797 (o, posiblemente, 801), el califa de Bagdad, Harún al-Rashid, obsequió a Carlomagno con un elefante asiático llamado Abul-Abbas y un reloj.[10]
En Hispania, la lucha contra los musulmanes continuó sin disminuir en intensidad durante toda la segunda mitad del reinado de Carlomagno. En 785, los soldados de su hijo Luis, que se encontraba encargado de defender la frontera con España, conquistaron Gerona de forma permanente y extendieron el control franco al litoral catalán; dicho control se mantuvo durante el resto del gobierno de Carlomagno (e incluso siguió siendo nominalmente franco mucho tiempo después, hasta el Tratado de Corbeil en 1258). Los caudillos musulmanes del noreste de la España islámica se sublevaban continuamente contra las autoridades cordobesas y, a menudo, pedían la ayuda de los francos, cuya frontera continuó expandiéndose lentamente hasta 795, año en que Gerona, Cerdaña, Osona y Urgel fueron agrupadas en la nueva Marca Hispánica, dentro del antiguo ducado de Septimania.
En 797 Barcelona, la ciudad principal de la región, cayó ante los francos cuando Zeid, su gobernador, se rebeló contra Córdoba y, tras fracasar, la entregó a Carlomagno. Pese a que las autoridades omeyas consiguieron reconquistarla en 799, Luis marchó junto a todo su ejército, cruzó los Pirineos y asedió la ciudad durante dos años, pasando allí el invierno desde 800 a 801, hasta su rendición. Los francos continuaron arremetiendo contra el emir: en 809 ocuparon Tarragona y, en 811, Tortosa. Esta última conquista los llevó hasta la desembocadura del Ebro y les permitió el acceso a Valencia, lo que impulsó a que el emir Alhakén I reconociera sus conquistas en 812.
Campañas en el este de Europa
Guerra contra los sajones
Carlomagno estuvo involucrado en batallas constantes a lo largo de su reino, frecuentemente a la cabeza de sus escuadrones de élite o scara y con su legendaria espada, Joyeuse, en mano. Tras treinta años de guerra, logró conquistar Sajonia y procedió a convertirla al cristianismo, empleando la fuerza siempre que fuera necesario. A finales del siglo VIII el ejército carolingio de cerca de 100 000 hombres en campaña, este incluía una gran cantidad de tropas reclutadas temporalmente de diversas regiones y tribus, unos 10 000 soldados profesionales a tiempo completo, unos 6000 caballeros montados y una cifra similar de mercenarios.[11]
Los sajones fueron distribuidos en cuatro grupos, de acuerdo a sus regiones de pertenencia: Westfalia, que lindaba por el oeste con Austrasia y, más allá, Estfalia. En medio de estos dos reinos se encontraba el de Angria, y al norte de los anteriores Nordalbingia, en la base de la península de Jutlandia.
Durante su primera campaña, Carlomagno venció a los sajones en Paderborn y obligó a los habitantes de Angria a que, en 772, cortaran y entregaran un irminsul (un pilar de madera sagrado) que se encontraba cerca de Paderborn. La campaña fue interrumpida por su primera expedición a Italia en 774, con la rebelión aún activa. Cuando regresó al año siguiente (775), atravesó Westfalia y conquistó el fuerte sajón de Sigiburg. Luego, cruzó Angria, donde nuevamente derrotó a los sajones. Por último, en Estfalia, venció a un destacamento sajón y convirtió a su líder, Hessi, al cristianismo. En su camino de vuelta por Westfalia, estableció campamentos en Sigiburg y Eresburg, que hasta entonces habían sido importantes bastiones sajones. Toda Sajonia se hallaba bajo su dominio, a excepción de Nordalbingia; sin embargo, la resistencia sajona no había concluido.
Después de su campaña en Italia subyugando a los duques de Friuli y Spoleto (Rodgaudo e Hildeprando, respectivamente), Carlomagno regresó velozmente a Sajonia en 776, puesto que una revuelta había destruido su fortaleza en Eresburg. Una vez más, los sajones fueron aplastados, pero su líder más importante, el duque Widukind, consiguió escapar a Dinamarca, hogar de su esposa. Carlomagno construyó un nuevo campamento en Karlstadt y, en 777, llamó a una dieta nacional en Paderborn para completar la integración de Sajonia al reino franco. Siguiendo fielmente su política religiosa, hizo bautizar a un considerable número de sajones.
En el verano de 779, invadió nuevamente Sajonia y reconquistó Estfalia, Angria y Westfalia (perdidas en la rebelión del año anterior). En una dieta realizada cerca de Lippe, dividió el territorio en distintas misiones y asistió en persona a varios bautismos en masa (780). A continuación regresó a Italia y, por primera vez, no hubo una revuelta inmediata sajona. En 780 Carlomagno decretó la pena de muerte para aquellos sajones que no se bautizaran, no celebraran las fiestas cristianas y cremaran a sus muertos. Entre 780 y 782, Sajonia vivió un período de paz.
Carlomagno volvió a Sajonia nuevamente en 782. Estableció un código de leyes y designó varios condes, tanto sajones como francos. Las leyes eran severas en temas religiosos, y el politeísmo germano autóctono quedó en una condición sumamente precaria respecto del cristianismo, lo que despertó antiguos conflictos. Ese mismo año, Widukind regresó en otoño para liderar una nueva revuelta, la cual resultó en varios ataques contra la Iglesia. En respuesta, se cree que Carlomagno ordenó en Verden, Baja Sajonia, la decapitación de 4500 sajones que habían sido capturados practicando su paganismo nativo luego de haberse convertido al cristianismo.[12] El hecho, conocido como la Matanza de Verden, desencadenó dos años de sangrientos conflictos (783-785) que significaron el traslado forzado de unos 30 000 sajones a otras regiones del imperio.[13]Durante esta guerra, el rey franco venció en las batallas de Lippspringe (782) y de Delmont (783) y finalmente consiguió someter a los frisones e incendiar una gran parte de su flota. La guerra concluyó cuando Widukind aceptó ser bautizado en 804.
Tras este hecho, los sajones se mantuvieron en paz durante siete años, hasta que los habitantes de Westfalia volvieron a rebelarse en contra de sus conquistadores. Estfalia y Nordalbingia se unieron a ellos en 793, pero la sublevación no contó con el apoyo de toda la población y fue sofocada hacia 794. A continuación, se produjo una revuelta en Angria en 796, aunque fue aplacada rápidamente gracias a la presencia de los sajones cristianos, los eslavos y del mismísimo Carlomagno. El último intento independentista ocurrió en 804, más de treinta años después de la primera campaña de Carlomagno en Sajonia. En esta ocasión, la más turbulenta de todas, el pueblo de Nordalbingia se halló a sí mismo incapacitado para volver a conducir una nueva rebelión. Según Eginardo:
La guerra que había durado tantos años concluyó al fin cuando accedieron a los términos ofrecidos por el rey; los cuales consistían en renunciar a sus costumbres religiosas nacionales y a la adoración de demonios, aceptar los sacramentos de la religión y de la fe cristiana, y unirse a los francos para conformar un único pueblo.
La resistencia pagana en Sajonia había finalizado. Para asegurarse de ello Carlomagno ordeno el traslado forzado de 10 000 familias sajonas y la entrega de sus tierras a los leales abroditas.[12]
Sometimiento de Baviera
En 788, Carlomagno volvió su atención hacia Baviera y acusó a Tasilón de hacer tratos con los ávaros y otros enemigos suyos, rompiendo de este modo su promesa de fidelidad. Sometido a juicio, Tasilón fue depuesto y condenado a muerte, pero Carlos le indultó y se contentó con hacerle rapar y recluirle en el monasterio de Jumièges.[14] Finalmente, en 794 Tasilón fue obligado a renunciar a sus derechos y a los de su familia (los agilolfingos) sobre Baviera, en el sínodo de Fráncfort. Baviera, al igual que Sajonia, fue subdividida en condados por los francos.
Campaña contra los ávaros
En 788, los ávaros, una horda asiática pagana que se había establecido en la actual Hungría (Eginardo los llama hunos), invadieron Friuli y Baviera. Carlos estuvo ocupado con otras cuestiones hasta 790, pero en ese año marchó a lo largo del Danubio hasta su territorio, asolándolo hasta Raab. Luego, un ejército lombardo al mando de Pipino se adentró en el valle del Drava y devastó Panonia. Estas campañas habrían continuado de no ser por una nueva revuelta de los sajones en 792 que puso fin a siete años de paz en la región.
Los siguientes dos años, Carlos estuvo atareado tanto con los eslavos como con los sajones. Sin embargo, Pipino y el duque Eric de Friuli prosiguieron sus ataques a las fortalezas circulares de los ávaros. El gran Anillo de los Ávaros, su fortaleza de mayor importancia, fue tomada en dos ocasiones. El botín reunido se envió a Carlomagno, quien se encontraba en su capital, Aquisgrán, y la redistribuyó entre sus seguidores y gobernantes extranjeros, incluido el rey Offa de Mercia. Al poco tiempo, los tuduns ávaros desistieron y viajaron a Aquisgrán para someterse a Carlomagno como vasallos y cristianos. Carlos aceptó y uno de los jefes nativos, quien había sido bautizado como Abraham, fue enviado de regreso con el antiguo título de Jaghan. Abraham mantuvo la disciplina entre su gente, pero para el año 800 los búlgaros al mando de Krum habían acabado completamente con el estado ávaro. En el siglo X los magiares se establecerían en la llanura panónica, presentando una nueva amenaza para los descendientes de Carlomagno.
Expediciones contra los eslavos
La expansión territorial que experimentó el Imperio carolingio hasta 789 le llevó a tomar contacto con nuevos vecinos paganos, los eslavos. Carlomagno encabezó un ejército formado por soldados de Austrasia y Sajonia, con el cual cruzó el Elba y entró en tierras abroditas. Los eslavos liderados por Witzin se rindieron de inmediato. Posteriormente, Carlos aceptó la sumisión de los veleti, gobernados por Dragovit, exigiendo rehenes y el permiso para enviar, sin interferencias, misioneros a la región. El ejército alcanzó la región báltica antes de volver sobre sus pasos y dirigirse hacia el Rin con el botín logrado y sin sufrir hostigamientos. El estado tributario eslavo se convirtió en un aliado leal. En 795, cuando se quebró la paz con los sajones, tanto obodritas como veleti se levantaron en armas para acompañar a su nuevo amo en contra de los rebeldes. Witzin murió en combate y Carlomagno lo vengó asolando la región del Elba correspondiente a Estfalia. Thrasuco, el sucesor de Witzin, lideró a sus hombres en la conquista de Nordalbingia y entregó a los líderes rebeldes a Carlomagno, lo que le valió grandes honores. Los obodritas se mantuvieron leales a Carlos hasta su muerte y luego combatieron contra los daneses.
Carlomagno también centró su atención en los eslavos del sur del jaganato ávaro: los carantanianos y los eslovenos. Estos pueblos fueron sometidos por los lombardos y los bávaros, y convertidos en tributarios, aunque jamás se incorporaron al estado franco.
Imperio
Diplomacia imperial
Después de estos acontecimientos el día de la festividad del Nacimiento de nuestro señor Jesucristo se reunieron de nuevo en la susodicha basílica de san Pedro apóstol. Entonces el venerable y benévolo prelado le coronó con sus propias manos con una magnífica corona. Entonces todos los fieles viendo la protección tan grande y el amor que tenía a la santa madre Iglesia romana y a su vicario unánimemente gritaron en alta voz, con el beneplácito de Dios y del bienaventurado San Pedro, portero del reino celestial: ¡A Carlomagno, piadoso augusto, por Dios coronado, grande y pacífico emperador, vida y victoria!Liber Pontificalis, XCVIII-23-24[15]
El reinado de Carlomagno llegó a su punto decisivo a fines del año 800. En 799, el papa León III había sido atacado por los romanos, quienes intentaron arrancarle los ojos y la lengua. León escapó y se refugió con Carlomagno en Paderborn, solicitándole que interviniera en Roma y restaurara su gobierno. El rey franco, aconsejado por Alcuino de York, aceptó viajar a Roma y así lo hizo en noviembre de 800. El 1 de diciembre realizó una asamblea y, el 23 del mismo mes, León tomó juramento declarándose inocente. Durante la misa celebrada en Navidad (25 de diciembre), cuando Carlomagno se arrodilló para orar ante el altar, el papa lo coronó Imperator Romanorum ('emperador de los romanos') en la basílica de San Pedro. Con este acto, el papa intentaba transferir a Carlos el cargo de Constantinopla. Eginardo señala que Carlomagno ignoraba las intenciones de León y no deseaba dicho nombramiento:
Al principio fue tal la aversión, que declaró que no hubiese puesto un pie en la Iglesia el día que le fueron conferidos [los títulos imperiales], pese a que fue un gran día festivo, de poder haber previsto los designios del papa.
Muchos académicos modernos indican que, en realidad, Carlomagno estaba al tanto de los planes de coronación. Ciertamente, al aproximarse a rezar, no pudo haber dejado de observar la corona engarzada con joyas que aguardaba en el altar. En todo caso, ahora podía aprovechar las circunstancias para afirmar que él era el restaurador del Imperio romano, que aparentemente se había degradado bajo el mando de los bizantinos. No obstante, después de 806, Carlos pasaría a designarse a sí mismo no como Imperator Romanorum ('emperador de los romanos', un título reservado al emperador bizantino), sino como Imperator Romanum gubernans Imperium ('emperador gobernante del Imperio romano').
La iconoclasia de la dinastía isauria y los consiguientes conflictos religiosos con la emperatriz Irene, quien en el año 800 ocupaba el trono de Constantinopla, probablemente fueran las principales causas por las que el papa deseaba aclamar formalmente a Carlos como emperador romano. Además, también ansiaba incrementar la influencia del papado, honrar a su salvador —Carlomagno— y resolver las cuestiones constitucionales que por entonces afligían a los juristas europeos, en una época en que Roma no se hallaba en manos de un emperador. De este modo, cuando Carlomagno asumió el título de emperador, a los ojos de los francos e italianos no se trató de una usurpación del cargo; pero sí lo fue en Constantinopla, donde Irene y su sucesor, Nicéforo I, protestaron vigorosamente sin que ninguno de ellos lograse algo al respecto.
Sin embargo, los bizantinos siguieron conservando varios territorios en Italia: Venecia (lo que quedaba del Exarcado de Rávena), Reggio (en Calabria), Brindisi (en Apulia) y Nápoles (el Ducado Napolitano). Estas regiones permanecieron fuera del dominio franco hasta 804, cuando los venecianos, desgarrados por luchas internas, transfirieron su lealtad a la Corona Férrea de Pipino, hijo de Carlos. La Pax Nicephori concluyó y Nicéforo asoló las costas con una flota y, así, comenzó la única guerra entre bizantinos y francos. Los enfrentamientos se prolongaron hasta 810, cuando el bando probizantino en Venecia le confirió una vez más el dominio de la ciudad al Imperio bizantino y los dos emperadores de Europa hicieron las paces: Carlomagno recibió la península de Istria, y en 812 el emperador Miguel I Rangabé reconoció su condición de emperador.
Los ataques daneses
Tras la conquista de Nordalbingia, el territorio franco colindaba con Escandinavia. Los paganos daneses («una raza casi desconocida para sus ancestros; [de Carlos]. Pero destinada a ser ampliamente conocida por sus hijos» tal como los describió Charles Oman) que habitaban la península de Jutlandia habían oído muchas de las historias relatadas por Widukind y sus aliados, quienes se refugiaban en la corte danesa, así como de la ferocidad con que el rey cristiano trataba a sus vecinos paganos.
En 808, el rey danés, Godofredo, construyó la gran Danevirke a lo largo del istmo de Schleswig. Esta muralla defensiva, que en un principio medía 30 km de largo, fue utilizada por última vez durante la Guerra de los Ducados en 1864. La Danevirke tenía por objeto proteger a los daneses, al mismo tiempo que le proporcionaba a Godofredo la oportunidad de saquear Frisia y Flandes por medio de ataques piratas. Además, el danés sometió a los veleti (aliados de los francos) y combatió a los obodritas.
Godofredo invadió Frisia y bromeaba con visitar Aquisgrán. Sin embargo, no pudo hacer otra cosa ya que fue muerto, aunque se ignora si a manos de un asesino franco o de uno de sus propios hombres. Godofredo fue sucedido por su sobrino Hemming, quien firmó el Tratado de Heiligen con Carlomagno a finales de 811.
Muerte
En 813, Carlomagno convocó a su corte a Ludovico Pío, rey de Aquitania y su único hijo sobreviviente. Una vez allí, lo coronó con sus propias manos como coemperador para luego enviarlo de regreso a Aquitania. A continuación, pasó el otoño de cacería antes de volver a Aquisgrán el 1 de noviembre. En enero de 814, enfermó de pleuritis (Eginardo 59) y el 21 cayó en coma. Eginardo cuenta que:
Murió el veintiocho de enero, el séptimo día desde que cayó en cama, a las nueve de la mañana, tras participar de la eucaristía, en su septuagésimo segundo año de vida y el cuadragésimo séptimo de su reinado.
Carlos fue sepultado el mismo día de su muerte en la catedral de Aquisgrán, pese a que el clima frío y la naturaleza de su enfermedad no imponían apuro alguno a su entierro. Un relato posterior, narrado por Oto de Lomello, conde del palacio de Aquisgrán en época de Otón III, indicaría que él y el emperador Otón habían descubierto la tumba de Carlomagno; estos dos hombres sentaron al emperador en un trono, le vistieron con una corona y un cetro de celebración y cubrieron con ostentosas ropas su cuerpo incorrupto. En 1165, el emperador Federico I abrió de nuevo la tumba y trasladó el cuerpo a un sarcófago que emplazó debajo del suelo de la catedral.[16] En 1215, Federico II volvería a introducirle en un ataúd de oro y plata.
La muerte de Carlomagno afectó profundamente a muchos de sus cortesanos, en especial a aquellos que formaban una especie de «camarilla literaria» adherida al emperador en Aquisgrán. Así se lamenta un anónimo monje de Bobbio:
Desde las tierras donde se alza el sol hasta las playas occidentales la gente llora y se lamenta... los francos, los romanos y todos los cristianos se duelen con enorme preocupación... jóvenes y ancianos, gloriosos nobles, todos lamentan la pérdida de su César... el mundo lamenta la muerte de Carlos... Cristo, tú que gobiernas los cielos, concede a Carlos un lugar tranquilo en tu reino. Para mi desgracia.[17]
Administración
Carlomagno destaca como administrador merced a las numerosas reformas que se llevaron a cabo durante su reinado: económicas, gubernamentales, militares, culturales y eclesiásticas. Constituye el protagonista del «renacimiento carolingio».
Reformas económicas y monetarias
Carlomagno desempeñó un importante papel a la hora de sentar las bases del futuro económico europeo. Siguiendo las reformas de su padre, abolió el sistema monetario basado en el oro sou y, junto al rey anglosajón Offa de Mercia, impulsó el sistema que había puesto en marcha Pipino. En esa época existían razones pragmáticas para tomar esta decisión, principalmente la escasez de oro en sí, consecuencia del tratado de paz que se había firmado con Bizancio, la cesión de Venecia y Sicilia, y el fin de las relaciones comerciales con África y Oriente.
Comenzó a circular una nueva moneda, la libra carolingia (cuyo nombre deriva de la libra romana, la libra moderna), basada en una libra de plata, una unidad tanto monetaria como de peso, equivalente a 20 sous (del latín solidus, que fue utilizado principalmente en registros contables pero sin ser nunca acuñado, y del cual deriva el chelín moderno) o 240 deniers (del latín denarius, el penique moderno). Durante este período, la livre y el sou fueron unidades de cuenta, mientras que solo el denier era una moneda real.
Carlomagno instituyó los principios de la contabilidad mediante el capitulare de villis (802), escrito que establece una serie de normas por las que debían ser registrados todos los ingresos y gastos públicos.
La usura fue prohibida, prohibición reforzada en 814, cuando se introdujo la Capitulare de los judíos, por la cual se prohibía a los judíos prestar dinero.
Además de estas prácticas macroeconómicas, el monarca francés llevó a cabo un importante número de ejercicios microeconómicos, tales como el control directo sobre los precios o los gravámenes especiales a determinados bienes y productos básicos.
Carlomagno aplicó este sistema a gran parte del continente europeo; paralelamente, el sistema de Offa se adoptó de forma voluntaria en Inglaterra. Tras la muerte del monarca franco, la moneda europea sufrió una importante degradación, haciendo que la mayor parte de Europa adoptara el uso de la moneda británica hasta c. 1100.
Reformas educativas
Gran parte del éxito de Carlomagno como militar y administrador puede atribuirse a su admiración por el aprendizaje. A causa del renacimiento de la enseñanza, la literatura, el arte y la arquitectura que los caracteriza, ciertos historiadores se refieren a su reinado y a su época bajo el nombre de renacimiento carolingio. Carlomagno entró en contacto con la cultura y la educación presente en otros países, especialmente en la España visigoda, la Inglaterra anglosajona y la Italia lombarda, merced a sus conquistas. Durante su reinado se multiplicaron las escuelas monásticas y scriptorias existentes en Francia. Los escolares carolingios copiaron y preservaron muchas de las obras clásicas latinas que habían sobrevivido. De hecho, los primeros manuscritos disponibles en los textos antiguos tienen su origen en esta época: casi todos los textos que sobrevivieron hasta su reinado sobreviven hoy en día. Muchos hombres que trabajaban para el emperador indican la existencia del carácter paneuropeo que tenía la influencia carolingia: Alcuino, un anglosajón de York; Teodulfo, un visigodo de Septimania; Pablo el diácono, lombardo; Pedro de Pisa y Paulino de Aquilea, italianos; y Angilberto, Angilramm, Eginardo y Waldo de Reichenau, francos.
Carlomagno mostró un serio interés en las becas y en la promoción de las artes liberales en la corte. Ordenó que todos sus descendientes fueran bien educados. Él mismo estudió gramática con Pablo el diácono; retórica, dicción y astronomía con Alcuino,[Nota 8] y aritmética con Eginardo. Este último menciona el único fracaso académico de Carlomagno, el no saber escribir: trató de aprender en su vejez practicando durante su tiempo libre en su cama la formación de las letras en libros y tablas de cera que escondía bajo la almohada, «sus esfuerzos llegaron demasiado tarde y dieron poco fruto». Su capacidad para leer se ha puesto en tela de juicio, pues Eginardo no hace referencia a la misma en ningún momento, ni está avalada por fuente contemporánea alguna.[18]
Reformas culturales
Página del Codex Aureus de Lorsch, escrito durante el reinado de Carlomagno.
Durante el reinado de Carlomagno, la letra romana mayúscula y su modalidad cursiva, que había dado lugar a diversas letras minúsculas, se combinaron con determinados tipos de letra empleados en los monasterios ingleses e irlandeses. La minúscula carolingia fue creada a partir de esta combinación durante el reinado del emperador homónimo. Es probable que participara en su concepción Alcuino de York, hombre que trabajaba en la escuela de palacio y en el scriptorium de Aquisgrán. A pesar de ello, el carácter revolucionario de la reforma carolingia ha podido ser sobrestimado; los esfuerzos por dominar las intrincadas caligrafías merovingia y germánica ya estaban presentes antes de que Alcuino llegara a Aquisgrán. La nueva minúscula fue difundida primero desde Aquisgrán, y posteriormente desde el influyente scriptorium de Tours, donde Alcuino ingresó como abad.
Reformas políticas
Carlomagno realizó numerosas reformas que no tenían precedente entre sus antecesores en el trono de los francos; no obstante, optó por continuar con muchas prácticas tradicionales, como la división del reino entre los hijos.
Organización
El rey carolingio ejerció el bannum, el derecho a reinar y comandar. Gozaba de la jurisprudencia suprema en materia judicial, legislaba, lideraba el ejército, y tenía el deber de defender a la Iglesia y a los desfavorecidos. Su administración llevó a cabo un intento de organizar y adherir al reino la iglesia y la nobleza; no obstante, el reino era dependiente de la eficiencia y la lealtad de ambos órdenes.
Coronación imperial
Trono de Carlomagno en la catedral de Aquisgrán.
Los historiadores han debatido durante largo tiempo si Carlomagno era consciente de que el papa tenía la intención de coronarle emperador antes de que dicho nombramiento se hiciera efectivo.[Nota 9] No obstante, este debate ha ensombrecido a otro mucho más importante: por qué razón se concedió este título al monarca franco, y por qué razón éste lo aceptó.
Roger Collins señala que «los motivos que sitúan la aceptación del título imperial como consecuencia de un interés romántico y antiguo por resucitar el Imperio romano son sumamente improbables».[19] Por un lado, tal aspecto romántico no habría llamado la atención ni de los francos ni de los católicos de principios del siglo IX, puesto que éstos desconfiaban de la herencia clásica. Los francos se vanagloriaban de haber «combatido y sacudido de sus hombros el pesado yugo romano» y del «conocimiento obtenido a través del bautismo, ataviando en oro y piedras preciosas los cuerpos de los santos mártires a quienes los romanos habían matado con fuego, espadas y animales salvajes», tal como describió Pipino III en una ley emitida en el año 763 o 764.[20] Además, el nuevo título conllevaba el riesgo de que el emperador «introdujese cambios drásticos en las formas y procedimientos tradicionales de gobierno» o «centrase su atención en asuntos de Italia o el Mediterráneo con mayor frecuencia»,[21] lo que amenazaba alienar al líder franco.
Tanto para el papa como para Carlomagno, el Imperio romano seguía siendo un poder importante dentro de la política europea de la época, y aun conservaba una parte considerable del territorio de Italia, con fronteras no muy lejos de la mismísima ciudad de Roma. Se trata del imperio al cual la historiografía ha denominado Imperio bizantino, puesto que su capital era Constantinopla —la antigua Bizancio— y cuyo pueblo, gobernantes y costumbres tornaron poco a poco hacia sus raíces griegas. Ciertamente, Carlomagno estaba usurpando las prerrogativas del emperador romano de Constantinopla, en primer lugar, con el sencillo acto de poder juzgar al papa:
¿Por quién, no obstante, podría él [el papa] ser juzgado? ¿Quién, en otras palabras, estaba cualificado para emitir un juicio acerca del Vicario de Cristo? En circunstancias normales la única respuesta posible a esta pregunta sería el emperador de Constantinopla, pero en ese momento Irene ocupaba el trono imperial. Que la emperatriz fuera famosa por haber cegado y asesinado a su propio hijo era algo, para León y Carlos, irrelevante: sencillamente se trataba de una mujer. Ambos creían que el sexo femenino era incapaz de gobernar, y la tradición sálica impedía que ocurriera. Por lo que respecta a Europa Occidental, el trono bizantino estaba vacío: Irene no era más que una prueba, si es que se necesitara alguna más, del envilecimiento en el que había caído el Imperio romano.John Julius Norwich Byzantium: The Early Centuries, pag. 378
Por ello, para el papa «no había ningún emperador en el trono bizantino en esa época».[22] No obstante, Henri Pirenne pone en duda esta cuestión al afirmar que la coronación «no se vio alterada por el hecho de que en ese momento una mujer estuviera reinando en Constantinopla».[23] Desde 727, el papado había mantenido una tensa relación con los predecesores de Irene en el trono de Constantinopla. Esta tensión diplomática había sido provocada por la adhesión de los bizantinos a la cultura iconoclasta y la destrucción de imágenes cristianas. En 750, el poder secular del Imperio bizantino en Italia Central había sido neutralizado. Al conceder la corona imperial a Carlomagno, el papa se arrogaba a sí mismo «el derecho de nombrar al emperador de los romanos, haciendo de la corona imperial un regalo personal suyo, y al mismo tiempo concediéndose de forma implícita una cierta superioridad sobre un emperador al que él mismo había creado». Además, «los bizantinos se habían mostrado incapaces de hacer honor a su posición militar, doctrinal y políticamente, por lo que el papa estaba en la obligación de reemplazarlos por un monarca occidental: un hombre que por su sabiduría, su capacidad política y su poder territorial se destacara por encima de sus coetáneos».
Representación de la coronación imperial de Carlomagno.
Con la coronación de Carlomagno «se mantenía la unidad del Imperio romano, y los dos [Carlomagno y León] tenían la responsabilidad de mantener su cohesión, con Carlos como su emperador.» Aunque existía la posibilidad de que «la coronación, con todo lo que implicaba, sería airadamente rechazada en Constantinopla».[24] Observando las circunstancias del nombramiento de Carlos desde un punto de vista realista, el papa y el propio Carlomagno debieron darse cuenta de que existían pocas posibilidades de que los bizantinos aceptaran al monarca de los francos como su emperador. Alcuino habla esperanzadamente en sus cartas de un Imperium Christianum ('Imperio cristiano') en el que, «del mismo modo que en el Imperio romano, los habitantes estuvieran unidos por una ciudadanía común». Asimismo, la responsabilidad de mantener una unidad imperial recaería en la fe cristiana.[25] Pirenne comparte este punto de vista al afirmar que «Carlos era el emperador de la ecclesia concebida por el papado, de la Iglesia romana, reconocida como la Iglesia universal.»[26]
Independientemente, de acuerdo con los escritos del cronista Teófanes,[27] la primera reacción de Carlomagno tras su coronación fue enviar una embajada a Irene a través de la cual le proponía matrimonio. Inesperadamente, la reacción de la basilissa fue favorable a este enlace, ya que la ayudaría a consolidarse en el trono. Sólo el rechazo de los bizantinos a esta unión y la concepción de una conspiración que tenía como objetivo derrocar a Irene y nombrar emperador a Nicéforo —cosa que finalmente ocurriría— hicieron a Carlomagno abandonar los planes de boda. Tras este fracaso, Carlomagno redujo al mínimo el alcance de su título e hizo que el pueblo se dirigiera a él como «Rex francorum et langobardum» («rey de los francos y los lombardos»).
El título de emperador se mantuvo en su familia durante todo su reinado y el de su hijo, siendo abandonado tras el conflicto que enfrentó a los descendientes de Luis por alcanzar la supremacía del Estado franco. No obstante, el papado no olvidó el título ni renunció a su derecho de concederlo. Cuando la dinastía carolingia cesó de producir herederos considerados «dignos», el papa optó por coronar a cualquier líder italiano capaz de protegerle de sus enemigos. La arbitrariedad que caracterizaba a la concesión del título abrió la puerta —como era de esperar— a su desaparición durante casi cuarenta años (924-962). Finalmente, en la Roma de una Europa radicalmente diferente a la de Carlomagno, el papa volvió a coronar (962) a un «emperador romano». Este nuevo emperador, Otón el Grande, vinculó este título a los monarcas alemanes durante casi un milenio, ya que la historiografía le considera el primer representante del Sacro Imperio Romano Germánico. Otón era el sucesor de Carlomagno, y por ende, el de Augusto.
Divisio regnorum
En 806, Carlomagno realizó las primeras previsiones a fin de dividir su Imperio a su muerte. A Carlos el Joven le habría legado Austrasia, Neustria, Sajonia, Borgoña y Turingia; a Pipino Italia, Baviera y Suabia; a Luis Aquitania, la Marca Hispánica y la Provenza. No existe mención alguna a los títulos imperiales, no obstante, ciertos historiadores han afirmado que el monarca franco consideraba los títulos como una recompensa que debía ganarse cada uno, y no como una herencia.
Esta división podría haber sido efectiva, pero los fallecimientos de Pipino (810) y Carlos (811) obligaron a Carlomagno a reconsiderar el reparto. En 813 brindó a Luis la oportunidad de reinar con él hasta su muerte, al coronarle y nombrarle coemperador y correy de los francos. La única parte del Imperio que no concedió a su heredero fue Italia, prometida años atrás a Pipino, hijo ilegítimo de Bernardo.
Relaciones de Carlomagno con la Iglesia y el Papado
Carlomagno continuó la política de su padre Pipino el Breve de alianza y defensa del Papado. En el caso de Carlomagno, a las razones políticas para ello se agregaba su auténtico convencimiento sobre las bondades de un Imperio cristiano en el cual el emperador y el papa colaboraban mutuamente. Todavía joven y algo inexperto en sus relaciones con el papa Adriano I, con su sucesor León III Carlomagno estableció naturalmente la supremacía del emperador sobre el papa.
En el caso de Adriano I, Carlomagno lo sostuvo frente a los lombardos. Debe destacarse que las relaciones entre Carlomagno y Adriano I fueron siempre buenas y mutuamente provechosas pues se trataba de dos personalidades destacadas cuyos fines, en el fondo, eran complementarios y ellos supieron reconocerlo.
Debemos destacar que la relación entre el papa y el emperador contribuyó a acrecentar grandemente el prestigio del Papado. En efecto, esta relación fue clave para acelerar enormemente el lento proceso –duró siglos– que paulatinamente fue convirtiendo al papa, de su rol original de obispo de Roma casi en igualdad de condiciones con los obispos de otras diócesis importantes e incluso inferior al Patriarca de Constantinopla, en jefe de la cristiandad.
A la muerte de Adriano I, su sucesor, León III, enfrentó una rebelión de las familias aristocráticas de Roma y fue depuesto. Apeló a Carlomagno, quien se personó en Roma con un ejército y presidió un sínodo en el que actuó como juez del papa, ya que sus detractores acusaban a León III de adulterio y de perjurio. El sínodo dio por bueno el juramento de León III de que era inocente de los cargos y lo absolvió, devolviéndole la tiara pontificia.
Lo importante de este hecho más allá de lo anecdótico es su simbología: Carlomagno actuó como juez del papa. Con ello, estableció la supremacía del emperador. No obstante, al recibir la corona del Imperio de manos del Pontífice —Eginhardo consignó después que Carlomagno no hubiera concurrido ese día a la basílica de San Pedro de haber sabido lo que se proponía a hacer León III; es obvio que Carlomagno estaba de acuerdo con su coronación como emperador pero tal vez hubiera objetado que fuera el papa y no él mismo quien pusiera la corona sobre su cabeza— se generó un peligroso antecedente que más adelante tendría consecuencias catastróficas para la dignidad imperial, entregada como fue a reyezuelos por una serie de débiles y corruptos papas, hasta que Otón I la rescató bajo el nombre de Sacro Imperio Romano Germánico de la ignominia en que había caído.[28][29]
Causas de la rápida disgregación del Imperio después de su muerte
A pesar de sus esfuerzos y su empeño, Carlomagno no logró dotar a su Imperio de una organización política que pudiera subsistir por sí misma a las amenazas que se cernían sobre él. Toda la organización del Imperio descansaba sobre una condición necesaria: la fidelidad de los nobles al emperador y rey de los francos y de los lombardos. Todo ello en un contexto económico y social en el cual los condados se volvían cada vez más autónomos: en principio, como resultaba muy costoso mantener a un guerrero a caballo con todo su equipamiento, solo los grandes propietarios podían permitírselo y los restantes hombres libres no tenían otra alternativa que encomendarse a un señor como vasallos. Hay que destacar que no existía un ejército permanente en el Reino de los Francos sino que se realizaban levas de armas y cada guerrero debía equiparse por su cuenta. Se vivía en una sociedad rural cuya economía era la agricultura de subsistencia, la población de las ciudades había disminuido y estaba reducida a su mínima expresión mientras que el comercio occidental había prácticamente desaparecido a partir del dominio del Mediterráneo por los árabes. La burguesía aún no había surgido como clase social y las provincias tenían que subsistir con sus propios recursos.
Así, entre el emperador y los hombres libres cada vez cobró más fuerza la casta intermediaria de los nobles a quienes sus vasallos debían responder. Era solo cuestión de tiempo que en un tan extenso Imperio en el cual las comunicaciones eran tan escasas y deficientes, los vasallos respondieran más a sus señores locales que al emperador. Mientras Carlomagno vivió, su extraordinario prestigio, su mano firme y su férrea voluntad hicieron que se le obedeciera por encima de la desintegración que estaba en ciernes. Únicamente si su sucesor hubiera sido un rey con los talentos de Carlomagno hubiera tenido el Imperio posibilidades de sobrevivir. Pero su hijo Carlos, quien tenía un gran talento militar y a quien Carlomagno había confiado algunas de sus misiones más difíciles, no le sobrevivió.
Ya en vida de Carlomagno se había producido un hecho que marca el debilitamiento de la fidelidad sobre la base de la cual estaba erigido el esqueleto del Imperio. En el verano del año 807 muy pocos de los señores y guerreros convocados a la asamblea anual se presentaron y, por primera vez, la asamblea no pudo realizarse. Fue un hecho sin precedentes. Carlomagno lo interpretó como una rebelión a su autoridad, envió a sus missi a investigar cada condado y castigó con edictos esa creciente deserción.
Muerto Carlomagno y dadas las pocas luces de su hijo y sucesor Luis el Piadoso, los hechos se precipitaron. Las guerras civiles entre el monarca y sus hijos acabaron con el prestigio del emperador. La mágica fidelidad que a esa altura solo se mantenía por la extraordinaria figura de Carlomagno desapareció y el Imperio, ya herido de muerte, terminó de naufragar merced a la exacerbación de los ataques de los nórdicos, dando paso al pleno auge del feudalismo.
El Imperio era inviable dadas las condiciones económicas, políticas y sociales de la época y solo la figura de Carlomagno había podido sostenerlo. Sus sucesores iban a sufrir la misma suerte que sus antepasados le habían prodigado a los últimos reyes merovingios: primero la pérdida del poder efectivo, que se trasladó en este caso a los grandes señores feudales, y finalmente la pérdida del trono, que en Germania pasó a la casa de Sajonia –paradójicamente, el país que había conquistado Carlomagno– y en Francia a los Capetos.[30][31]
Impacto cultural
El nombre y la figura de Carlomagno son y han sido atemporales. El autor de Visio Karoli Magni —escrita hacia 865— emplea extractos de la obra de Eginardo y datos obtenidos a partir de sus propias observaciones acerca del declive de la familia de Carlomagno tras las disensiones internas que desembocaron en una guerra civil (840-843) como base para escribir acerca de una visión en la que se le apareció el espíritu de Carlos.
Carlomagno —que se convirtió en un modelo de caballero, al formar parte de los Nueve de la Fama— ejerció un profundo impacto en la cultura europea. La materia de Francia, uno de los más importantes ciclos literarios medievales, tiene en Carlomagno a uno de sus personajes centrales. Además, en el famoso Cantar de Roldán se narra la batalla de Roncesvalles, en la que combatieron el célebre Roldán y los paladines franceses análogos a los caballeros de la Mesa Redonda de la corte del rey Arturo. Dichos cuentos constituyen el primer cantar de gesta de la historia.
En el siglo XII se reconoció su santidad dentro de las fronteras del Sacro Imperio romano. Su canonización —oficiada por el antipapa Pascual III a fin de obtener el favor de Federico Barbarroja (1165)— no fue reconocida por la Santa Sede, que anuló todas las ordenanzas de Pascual tras la celebración del Tercer Concilio de Letrán (1179). No obstante, finalmente se confirmaría su beatificación.
Se ha afirmado que Carlomagno apoyó la inserción del Filioque en el Credo de Nicea. Los francos habían heredado la creencia visigoda de que el Espíritu Santo procedía de Dios Padre y del Hijo (Filioque); y durante el reinado de Carlomagno, los francos obviaron lo estipulado en el Concilio de Constantinopla y declararon que el Espíritu Santo sólo procedía del Padre. El papa León III se opuso a dicha creencia e hizo tallar el Credo de Nicea en las puertas de la basílica de San Pedro sin la ofensiva frase. La insistencia de los francos desembocó en un declive de las relaciones entre Roma y Francia. No obstante, la Iglesia católica acabó adoptando esta frase, enemistándose esta vez con Constantinopla. Este hecho es contemplado como uno más de los muchos precursores del Cisma de Oriente, sucedido siglos más tarde.[32]
En la Divina Comedia su espíritu se aparece a Dante en el «cielo de Marte» acompañado de otros «soldados de la fe».
Según la etimología popular el Carro de la constelación de la Osa Mayor recibía el nombre de «Carro de Carlos» (Charles's Wain) en honor a Carlomagno.
Los voluntarios franceses de la Wehrmacht y la ulterior Waffen-SS se organizaron durante la Segunda Guerra Mundial en una unidad llamada 33ª División de Granaderos SS Voluntarios Charlemagne. Una unidad alemana de la Waffen-SS empleó el nombre de «Karl der Große» durante el año 1943, pero acabó llamándose 10ª División Panzer SS Frundsberg.
La ciudad de Aquisgrán concede desde 1949 un premio internacional llamado Karlspreis der Stadt Aachen en su honor. Se galardona anualmente a los «hombres de mérito que han promovido la idea de una unidad occidental a través de sus esfuerzos políticos, económicos y literarios».[33] Entre los laureados se encuentran el Conde Richard Coudenhove-Kalergi, fundador del movimiento paneuropeo, Alcide De Gasperi, y Winston Churchill.
La publicación semanal británicaThe Economist, centrada en noticias internacionales, dedica un artículo llamado «Carlomagno» a algún líder gubernamental europeo.
Familia
Matrimonios y herederos
Estatua de Carlomagno en Fráncfort del Meno
Carlomagno engendró veinte hijos con ocho de sus diez esposas o concubinas conocidas.
- Con Himiltruda mantuvo su primera relación, cuya naturaleza suele describirse como un concubinato, un matrimonio legal o un friedelehe.[34] De esta unión nacieron dos hijos:
- Amaudru, una niña.[35]
- Pipino el Jorobado (c. 769-811)
- Carlomagno se separó de Himiltruda cuando se casó en 770 con Desiderata, hija del rey de los lombardos Desiderio; matrimonio anulado en 771,
- Después se casó con Hildegarda (757 o 758-783). El matrimonio, celebrado en 771, terminó con la muerte de esta (783). De este matrimonio nacieron nueve niños:
- Carlos el Joven (c. 772-4 de diciembre de 811). Duque de Maine, y coronado rey de los francos el 25 de diciembre de 800.
- Carlomán, rebautizado como Pipino (abril de 773-8 de julio de 810). Monarca italiano.
- Adalhaid (774). Nació mientras sus padres se encontraban de campaña en Italia. Se le envió a Francia, mas murió antes de llegar a Lyon.
- Rotruda (or Hruodrud) (775-6 de junio de 810)
- Luis (778-20 de junio de 840). Gemelo de Lotario. Coronado rey de Aquitania (781), sacro emperador romano (813) y emperador senior (814).
- Lotario (778-6 de febrero de 779/780). Gemelo de Luis. Falleció durante su infancia.[36]
- Bertha (779-826)
- Gisela (781-808)
- Hildegarda (782-783)
- Contrajo matrimonio con Fastrada desde 784 hasta la muerte de esta (794). Fruto de este matrimonio nacieron:
- Teodrada (784-¿?), abadesa de Argenteuil.
- Hiltruda (787-¿?)
- Su última esposa fue Lutgarda, con la que se casó en 794. No nació ningún hijo de este matrimonio.
Concubinatos e hijos ilegítimos
- Su primera concubina conocida fue Gersuinda. Con ella tuvo:
- Adeltruda (774-¿?)
- Su segunda concubina conocida fue Madelgarda. Con ella tuvo:
- Rutilda (775-810), abadesa de Faremoutiers
- Su tercera concubina conocida fue Amaltruda de Vienne. Con ella tuvo:
- Alpaida (n. 794)
- Su cuarta concubina conocida fue Regina. Con ella tuvo:
- Su quinta concubina conocida fue Adelinda. Con ella tuvo:
- Richbod (805-844). Abad de Saint-Riquier.
- Teodorico (807-¿?)
Ancestros
Ancestros de Carlomagno
Títulos
| Títulos Reales Carolingios | ||
| Predecesor: Pipino el Breve | Rey de los Francos 768-814 junto a Carlomán I (768-771) y Carlos el Joven (800-811) | Sucesor: Luis I |
| Predecesor: Desiderio | Rey de los lombardos 774-814 junto con Pipino de Italia (781-810) y Bernardo I (810-814) | Sucedido por: Bernardo I |
| Predecesor: Título creado | Emperador carolingio 800-814 junto a Luis I (813-814) | Sucesor: Luis I |
Linea Genetica N°1 FAMILIA |•••► CAROLUS
_________________________________________________________________________________________________
1.- 0742 CAROLUS MAGNUS, REX FRANCORUM & IMPERATOR ROMANORUM(CHARLEMAGNE) |•••► Pais:italia
PADRE: Pépin III, King of the Franks
MADRE: Bertrada de Laon
_________________________________________________________________________________________________
2.- 0714 PÉPIN III, KING OF THE FRANKS |•••► Pais:FRANCIA
PADRE: Martel Carlos
MADRE: Treveris Rotrudis de
_________________________________________________________________________________________________
3.- 0686 MARTEL CARLOS |•••► Pais:BELGICA
PADRE: Pipino De Heristal(Llamado El Joven)
MADRE: Alpaide De Bruyeres
_________________________________________________________________________________________________
4.- 0635 PIPINO DE HERISTAL(LLAMADO EL JOVEN) |•••► Pais:
PADRE: Ansegisel (+679)
MADRE: Bega de Cumberland
_________________________________________________________________________________________________
5.- ANSEGISEL (+679) |•••► Pais:
PADRE: San Arnulfo Obispo De Metz
MADRE:
_________________________________________________________________________________________________
6.- 0582 SAN ARNULFO OBISPO DE METZ |•••► Pais:FRANCIA
PADRE: Bodogisel
MADRE:
_________________________________________________________________________________________________
7.- BODOGISEL |•••► Pais:
PADRE: Duke Babon Mummolin
MADRE:
_________________________________________________________________________________________________
8.- DUKE BABON MUMMOLIN |•••► Pais:
PADRE: Munderic
MADRE: Arthemia
_________________________________________________________________________________________________
9.- MUNDERIC |•••► Pais:
PADRE:
MADRE:
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